Curitiba - Um projeto do governo do protocolado esta semana na Assembleia Legislativa (AL) prevê arrecadar R$ 100 milhões com a venda de 62 imóveis do Executivo em todo o Paraná, para "fazer caixa" para 2016. Na justificativa da mensagem encaminhada ao Legislativo na última segunda-feira, o governo ressalta que a medida em questão "instrumentaliza mecanismo imprescindível para o cumprimento do planejamento estadual para o exercício de 2016". Para isso, o governador também pediu o regime de urgência na tramitação do texto.
Ao todo são 50 terrenos, um terreno com edificações que pertence à Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar), sete casas residenciais, três salas comerciais e um sobrado localizados em 26 cidades. A maior parte se localiza em Curitiba, Campo Largo e Guaratuba. Em Londrina, o projeto prevê a venda de três terrenos que somam pouco mais de 5,4 mil metros quadrados. Na região, também estão previstas as alienações de terrenos em Cornélio Procópio, Assaí, Rolândia e Primeiro de Maio.
"São imóveis inservíveis para o Estado, sendo relevante sublinhar que a manutenção de tais bens no patrimônio público constitui-se medida em tudo desaconselhável, especialmente por implicar na necessidade de emprego de recursos humanos e financeiros na sua administração e conservação", destaca outro trecho da mensagem do Executivo.
A maior área a ser negociada em todo o Estado fica localizada em Cruzeiro do Iguaçu, no Sudoeste. São 165 mil metros quadrados, dos quais, segundo o projeto, a Secretaria de Infraestrutura e Logística não tem interesse de uso e já há interesse de compra pela iniciativa privada para a instalação de um aeródromo.
A oposição na Assembleia, por outro lado, questiona a necessidade do governo se desfazer de todos estes bens e pretende analisar a situação de cada um dos imóveis. "Temos que verificar se o governo está querendo vender terrenos que podem vir a ser utilizados futuramente. Por isso, antes de qualquer coisa, temos que fazer uma busca minuciosa e ver se há necessidade ou não de se desfazer deste patrimônio que já é do Estado", ressaltou o deputado Nelson Luersen (PDT).
Para o deputado Tadeu Veneri (PT), chama a atenção o governo anunciar a venda de tantos imóveis justamente num período de crise econômica e desaceleração do mercado imobiliário em todo o País. "Não é um momento propício para tentar vender qualquer coisa. E não vamos aceitar aqui, sem questionamentos, que uma lista enorme de imóveis seja enviada para votarmos sem saber especificamente qual o motivo desta decisão", frisou.
O líder da base aliada na AL, Luiz Claudio Romanelli (PMDB), retrucou dizendo que a receita da venda dos bens está prevista no orçamento de 2016, e que será destinada para investimentos na área de infraestrutura. O parlamentar, entretanto, não deu detalhes sobre quais seriam tais obras. Ele também apresentou uma visão extremamente otimista, porém fora da realidade do setor imobiliário. "O mercado imobiliário não está em baixa, é um setor que tem investimentos", disse, completando que "o Estado não vai fazer leilão para vender imóvel abaixo do preço do mercado".

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