Peça-chave na onda de privatizações declarada pelo governo Lerner, o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, não acredita que a privatização da Copel vai trazer prejuízos ao Paraná. ‘‘A Copel foi um carro-chefe para deixar as cidades boas, para levar a eletricidade. Hoje, o setor vive uma outra realidade. A iniciativa privada abrirá possibilidades para uma ampliação tecnológica’’, apostou ele.
Segundo Gionédis, ‘‘não há como o Paraná resistir’’. ‘‘Todo o sistema elétrico foi privatizado. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) não empresta mais dinheiro para estatais e as operações de financiamentos externos estão cada vez mais limitadas’’, emendou. Para o secretário, a manutenção da Copel nas mãos do Estado é um preço alto que pode levar a companhia a um ‘‘colapso’’.
‘‘A concorrência será grande. E nós não vamos poder competir. Se a Copel não se abrir, vai quebrar gradualmente. Não dá para ir na contramão da história. Tivemos competência para segurar a companhia até agora. A Copel é uma empresa sólida, mas que infelizmente sob o controle estatal não tem como crescer. Não temos previsão de financiamentos para a construção de novas usinas, é a estagnação’’, avaliou Gionédis.
‘‘É como a guerra travada no sistema de telefonia’’, comparou. O secretário não soube informar se a transmissão e geração de energia no Paraná continuarão nas mãos do governo estadual, ficando apenas a fatia da distribuição a cargo do setor privado como chegou a cogitar o governador Jaime Lerner, há cerca de 20 dias. ‘‘Tudo isso vai depender da modelagem (levantamento detalhado da empresa)’, ressalvou.
Gionédis confirmou que ficará a cargo do BNDES Participações, um dos braços do BNDES, a feitura da modelagem. Num primeiro momento, o governo se volta à venda das ações da companhia para transformar os papéis em dinheiro no caixa. A próxima etapa, cuja duração pode chegar a até seis meses, é a do desmembramento da Copel em companhias de distribuição, transmissão e geração de energia.(L.D.)

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