Curitiba O governador Roberto Requião (PMDB) não pretende abrir mão de receber os juros e as correções monetárias do empréstimo de R$ 9,8 milhões feito à empresa Detroit Diesel Motores do Brasil em 1997, na gestão do ex-governador Jaime Lerner (PFL). O Palácio Iguaçu está confiante que pode ganhar na Justiça o direito de receber as correções. A Detroit, fabricante de motores a diesel, está instalada na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).
Fontes ligadas ao governo e à Procuradoria Geral do Estado (PGE) descartaram ontem a possibilidade de se tentar um acordo com a direção da Detroit para receber a correção. O governo Requião vai esperar uma manifestação da Justiça. A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, órgão vinculado ao Ministério Público (MP) estadual, propôs ação, no final do ano passado, questionando as transações firmadas entre o poder público e a empresa. A ação corre na 4 Vara de Fazenda, em Curitiba, e será acompanhada de perto pela PGE.
O advogado Romeu Bacellar, especialista em Direito Administrativo, disse que, caso a direção da empresa e o governo se dispusessem a conversar, o pagamento poderia, pelo menos em tese, ser feito através de acordo que alterasse o contrato. ''Não tive acesso aos detalhes do contrato de financiamento, mas em tese as partes podem discutir a relação custo-benefício e fazer um acordo (mesmo sendo em governos diferentes)'', explicou o advogado.
Os empréstimos foram feitos pelo Fundo de Desenvolvimento Econômico do Estado do Paraná (FDE), na época gerido pelo Banestado (ex-banco estatal comprado pelo Itaú em outubro de 2000), de acordo com o MP. Hoje o FDE está sob a responsabilidade da Agência de Fomento do Paraná. Os contratos previam o pagamento em 31 de março de 2007, sem juros e sem correção monetária, e em moeda nacional. Ou seja, o pagamento do exato valor emprestado deveria ser feito dez anos depois, sem nenhuma correção, o que de acordo com o MP representaria lesão ao erário público.
A advogada de defesa da Detroit, Vanessa Palácios, que trabalha no escritório de Louise Gionédis, mulher do ex-secretário de Estado da Fazenda no governo Lerner Giovani Gionédis, negou em entrevista à Folha a existência de qualquer irregularidade nos financiamentos. Pelos cálculos do MP, se o contrato for cumprido sem a correção monetária que deveria ter sido aplicada, a empresa devolverá ao Estado, em 2007, somente 43,59% do valor que foi financiado.
A Folha tentou ontem novamente contato com a direção da Detroit. O departamento de marketing informou que não havia ninguém da diretoria na sede da empresa ontem. Os representantes da inglesa Perkins, apesar de já terem oficializado a compra da Detroit no final do ano passado, ainda não estariam instalados no local.

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