O governo tenta nos bastidores impedir que o movimento dos cerca de mil prefeitos que se encontram em Brasília leve a mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal. As lideranças da base de sustentação do governo também trabalham para evitar que a mobilização coordenada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) acabe reforçando a manifestação em defesa da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção.
Como o Palácio do Planalto continua irredutível em sua posição de não alterar a legislação vigente desde maio de 2000, a CNM está com dificuldade para agendar audiências com ministros e com o presidente da República. Até ontem à noite, haviam sido confirmadas reuniões para hoje somente com os presidentes da Câmara e Senado, deputado Aécio Neves (PSDB-MG) e senador Jáder Barbalho (PMDB-PA), respectivamente, e com parlamentares.
Com medo de conceder um palanque para os prefeitos combaterem a Lei Fiscal, os governistas conseguiram impedir o debate que a CNM pretendia fazer na Comissão de Economia do Senado com o ministro do Planejamento e Orçamento, Martus Tavares. Tavares alegou falta de espaço na agenda e propôs que o encontro ocorra após o feriado da Semana Santa.
A estratégia do governo no Congresso é apressar a votação do projeto de lei que cria o Conselho de Gestão Fiscal, previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo pretende transformar o Conselho no fórum que vai discutir as reclamações de governadores, prefeitos e autoridades do Judiciário e Legislativo em relação à nova legislação. O pedido de requerimento de urgência na votação do projeto de lei estava para ser apreciado ontem à noite pela Câmara. Há possibilidade de o projeto ser colocado em votação hoje.

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