Governo quer fidelidade total de aliados
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sábado, 09 de agosto de 2003
Vera Rosae João Domingos<br> Agência Estado 
Brasília - O avanço da reforma previdenciária na Câmara reacendeu a discussão sobre a necessidade de uma troca de cadeiras na Esplanada dos Ministérios e em outros escalões da máquina federal. O painel de votação mostrou que nem tudo são flores na base aliada, ávida por cargos e verbas do Orçamento. Para conter a rebeldia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado aos chorões, por intermédio do ministro da Casa Civil, José Dirceu: no casamento com o PT, não há espaço para traição. ''Não tem fidelidade de 90%. Ou é 100% ou está do outro lado'', diz o presidente.
Apesar do aviso pragmático, Lula parece não ter pressa para mexer no primeiro time. Acha que a reforma ministerial tem de ser feita de uma vez só, no fim do ano, depois que a proposta tributária passar pelo crivo do Congresso. Se dependesse dos interlocutores políticos de Lula, o PMDB e o PP teriam assento na equipe até o fim do mês, já que a votação da Previdência será concluída em primeiro turno nesta semana. O argumento usado é que, sem eles, o governo não teria nem mesmo passado no teste da terça-feira, enfrentando um batalhão de servidores públicos.
''Nos próximos quinze dias vamos zerar o processo de nomeações nos Estados'', conta o secretário de Organização do PT, Sílvio Pereira, o homem encarregado pelo Palácio do Planalto de mapear os cargos federais de Norte a Sul. Silvinho, como é conhecido, mora em São Paulo, mas vem uma vez por semana a Brasília. Quando está na capital, é um dos homens mais procurados da República. ''Mas não atenderemos a todas as demandas porque o cobertor é curto'', avisa.
À espera de dois ministérios, o PMDB cobra insistentemente a fatura. De qualquer forma, já tem o seu quinhão de poder, com cargos na Transpetro, Furnas, no Banco do Nordeste (BNB), no Banco da Amazônia (Basa), Itaipu e Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), entre outros, além do líder do governo no Congresso, senador Amir Lando (RO). Nos próximos dias, o partido deve nomear o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
''Mas se o MDB fosse uma legenda unida, sem tanta divergência, já estaria nesse Ministério'', comenta o ex-governador Orestes Quércia, que, além de querer trocar o nome do partido, ressuscitando a sigla MDB, sonha em controlar o partido. Na outra ponta, o deputado Pedro Corrêa (PE), presidente do PP (ex-PPB), confirma que marcou nova conversa com Dirceu para a próxima semana.
''Nunca falamos nada, mas é evidente que queremos um ministério'', diz ele, sem cerimônia. ''O governo precisa ver que o apoio do PSDB e do PFL não será constante em outras votações e aumentar a participação dos deputados na equipe é a única maneira de mantê-los na base aliada.'' O aval de tucanos e pefelistas foi fundamental para o Executivo conseguir aprovar a taxação dos servidores públicos aposentados e o texto-básico da reforma. A recompensa não tardou: a liberação de verbas retidas no Orçamento para emendas de parlamentares já começou a pingar.


