Agência Estado
De Brasília
O governo encerrou a semana com a avaliação de que a briga em torno do salário mínimo no Congresso esfriou. Com a ajuda do PMDB, que fez acordo com os governistas para baixar o tom e evitar a radicalização dos debates, os combatentes mais ferozes do PFL na comissão mista do salário mínimo tiveram uma atuação tímida nos últimos dias. O recuo ficou claro durante o depoimento do ministro da Previdência Social, Waldeck Ornélas, na quinta-feira, quando o deputado petista Paulo Paim (RS) acabou sozinho no discurso em favor do mínimo equivalente a US$ 100.
Diante da notícia de que o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), quer votar na terça-feira a medida provisória que fixa o mínimo em R$ 151, o PFL retraiu-se. O deputado Luiz Antonio de Medeiros (PFL-SP) fez um acerto com os governistas e esticou a vigência da comissão mista do mínimo até terça-feira, mesmo sabendo que será derrotado no colegiado. Tudo para facilitar a vida de ACM, evitando que ele compre mais uma briga com o Palácio do Planalto ao atropelar a comissão para votar a MP direto no plenário.
Ao mesmo tempo em que o PFL recuava, o Planalto tratava de proclamar a firmeza do governo na decisão de barrar qualquer iniciativa para elevar o mínimo além dos R$ 151 já em vigor, comprometendo o equilíbrio das contas públicas. ‘‘O governo não aceitará em hipótese alguma aumentar o valor do mínimo nem antecipar a data base para janeiro’’, afirmou hoje, o secretário-geral da Presidência, ministro Aloysio Nunes Ferreira.
Nos debates que se seguiram ao depoimento do ministro Ornélas, nem foi preciso o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), insistir nesta tese. Enquanto Paim exibia um documento produzido pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social (Anfipe), dando conta de que basta pôr fim aos desvios dos recursos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para resolver de vez o déficit previdenciário, o PFL preocupava-se apenas em proteger seu ministro.

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