Governo quer encerrar logo caso Renan para aprovar CPMF
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sábado, 11 de agosto de 2007
Christiane Samarcoe Cida Fontes<br> Agência Estado 
Brasília - O governo e o PMDB fecharam um acordo tático para encerrar, até o final deste mês, o processo disciplinar que ameaça o mandato do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O Palácio do Planalto quer apressar o desfecho do caso para facilitar a aprovação da emenda constitucional que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Os líderes governistas e de partidos da base avaliam que só haverá condições de reunir o mínimo de 49 votos para aprovar o chamado ''imposto do cheque'' se os aliados conseguirem, antes, pacificar o ambiente político e pôr um ponto final na crise, sem melindrar o PMDB de Renan.
''O governo vai ter que arrumar o Senado se quiser aprovar a CPMF. Da forma que o governo quer, a oposição não aceita'', diz o senador Sérgio Guerra (PE) a respeito do desejo da União de não partilhar os recursos da CPMF com Estados e municípios. Guerra é cotado para substituir o senador Tasso Jereissati (CE) na presidência do PSDB. Nos cálculos do Planalto, a solução mais simples para superar a crise é a permanência de Renan na presidência.
O governo sabe que a sucessão no comando do Senado abriria uma disputa interna no PMDB, rachando o maior partido de sua base de apoio. Esse cenário é inconveniente porque as sequelas do racha fatalmente comprometeriam a aprovação da CPMF.
Diante desse quadro, a idéia é apressar a apresentação e votação do relatório no Conselho de Ética. Os governistas acreditam que o resultado da perícia da Polícia Federal sobre os documentos de Renan chegará nas mãos dos três relatores do processo na próxima terça-feira.
É nesse dia também que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara deve rejeitar, por acordo, o substitutivo do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que prevê a partilha dos recursos da CPMF com governadores e prefeitos.
Os deputados da base aliada do presidente Lula já negociaram um acordo de procedimento pelo qual cabe à CCJ se pronunciar somente sobre a admissibilidade da emenda, sem entrar no mérito da discussão sobre a partilha.
O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), afirma que já há entendimento no Conselho de Ética para votar logo o processo contra Renan, independentemente do resultado da perícia. ''O apelo geral é para votar logo. Ninguém aguenta mais. A demora é ruim para o País, para o Congresso, para o governo, que já começou a ter dificuldade em votações'', argumenta, ao destacar que o próprio Renan pensa assim.
A previsão do Planalto é que Renan acabará absolvido. A partir daí, todos aguardam ''um bombardeio da imprensa e da opinião pública''. Por isso, a estratégia é encerrar o caso até o fim do mês.


