Governo quer criar 77 cargos comissionados para a Saúde
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segunda-feira, 24 de março de 2008
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governo do Estado enviou à Assembléia Legislativa uma mensagem que cria 182 cargos e, ao mesmo tempo, extingue outros 105 postos. Na prática, significa a criação de 77 novos cargos na estrutura do Executivo. Os cargos são todos comissionados, ou seja, devem ser preenchidos por indicação, e serão destinados a 16 unidades hospitalares ligadas à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). O líder do Governo na Assembléia, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), afirmou que o Executivo ''precisa colocar os 24 hospitais em funcionamento'', daí a necessidade de aprovar a mensagem, que no total deve representar um impacto de mais de R$ 3 milhões em 2008. Desde 2003, o Executivo promete construir, ampliar ou reformar 24 hospitais no Estado.
Apesar da justificativa do peemedebista, os cargos serão destinados a apenas 16 hospitais, conforme texto da mensagem, sendo cinco unidades novas - o Hospital de Reabilitação do Paraná, em Curitiba, o Hospital Infantil de Campo Largo, o Hospital Regional de Ponta Grossa, o Hospital Estadual Wallace Thadeu de Mello e Silva, em Guaraqueçaba, e o Hospital Regional de Francisco Beltrão. Duas unidades localizadas em Londrina - em fase de ampliação - também devem receber novos cargos em comissão.
Para o Hospital Anísio Figueiredo, na Zona Norte de Londrina, e para o Hospital Dr. Eulálio Ignácio de Andrade, na Zona Sul do município, o Estado pede autorização para criar, em cada unidade, sete cargos de diretor-geral (com salário de R$ 6.010,09 cada posto), 14 cargos de diretor (R$ 3.730,36), 14 cargos de chefe de núcleo (R$ 1.604,33) e 35 cargos de chefe de seção (R$ 1.604,33).
A criação de 182 cargos representaria um acréscimo de 1,59% na despesa de pessoal da Sesa e 0,07% na despesa de pessoal do Executivo. A mensagem ainda será analisada por comissões permanentes da Assembléia antes de ir a votação no plenário.
Ontem, a oposição na Assembléia ainda não conhecia o teor da proposta, mas nos corredores da Casa o comentário era sobre a quantidade de cargos solicitados pelo Executivo. O deputado Élio Rusch (DEM) lembra que, no ano passado, a Casa aprovou a extinção de estruturas do Executivo sem, ao mesmo tempo, extinguir os cargos em comissão - remanejados para a Casa Civil. ''É claro que alguns cargos precisam ser ocupados por pessoas de confiança, mas não vejo necessidade de se criar tantos. Tem cargo sobrando na Casa Civil'', afirmou ele.
O presidente da Comissão Permanente de Saúde da Casa, deputado Ney Leprevost (PP), também questionou o andamento das obras dos hospitais. ''Em primeiro lugar, a gente precisa saber quando as unidades serão inauguradas e qual o motivo da demora. Não adianta criar cargo só por criar'', alfinetou ele.


