Governo quer controle sobre terceiro setor
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Começou a tramitar no plenário da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná um projeto de lei de autoria do governo do Estado que propõe aperfeiçoar o controle dos repasses de dinheiro público ao terceiro setor. A proposta estabelece uma lista de regras que devem ser obedecidas pelo Executivo quando o Estado realiza repasses de recursos públicos, via convênio, acordo, ajuste ou outro instrumento congênere, a entidades sem fins lucrativos.
Mas a Reportagem apurou que a principal mudança, se a lei for sancionada, se refere ao controle dos repasses por parte do próprio governador do Estado. Trecho do projeto de lei determina que a aprovação do repasse deverá ser feita formalmente e obrigatoriamente pelo chefe do Executivo. Atitude semelhante e alvo de polêmica ocorreu em 2007, quando o governador Roberto Requião
(PMDB), via decreto, centralizou a autorização para compra de qualquer medicamento especial. Na época, o peemedebista sustentou sua decisão no número considerado alto de mandados do Judiciário que obrigavam o fornecimento de remédios.
O líder da situação e relator do projeto de lei dentro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), não soube explicar ontem à imprensa como é feito atualmente o controle dos repasses. Ele sustenta, contudo, que a medida seria uma espécie de regulamentação da legislação que dá base aos repasses.
Pelo texto da proposta, o Executivo fica autorizado a realizar repasses de recursos públicos a entidades declaradas de utilidade pública pelo Legislativo. Os repasses ainda ficam condicionados a determinados requisitos: identificação da ação a ser executada; plano de aplicação dos recursos financeiros; previsão de início e fim de execução da ação, bom como conclusão das etapas; e apresentação de certidões de regularidade fiscal.
O Tribunal de Contas (TC) do Paraná informou que, desde o início de 2007, o órgão reforçou os mecanismos de controle do terceiro setor. Uma das medidas foi a aprovação de uma resolução que obriga que as prefeituras dos municípios apresentem a relação dos repasses efetuados a entidades sem fins lucrativos de forma separada, uma espécie de anexo da prestação de contas de um exercício anual.
Na justificativa do projeto de lei, assinado pelo governador Requião, consta que o escopo principal da proposta é padronizar os instrumentos destinados ao repasse de recursos públicos (...) tornando mais transparente a gestão destes recursos, facilitando, inclusive, o controle pelo Poder Legislativo, devidamente auxiliado pelo Tribunal de Contas.
A justificativa sustenta ainda que são notórias as ações voluntárias organizadas pelo terceiro setor, já que voltadas à realização de atividades também de responsabilidade do terceiro setor. Por conseguinte, os gestores, o governo, e a sociedade necessitam saber de forma clara e transparente o valor dos recursos recebidos, a forma de aplicação dos recursos e se as atividades desenvolvidas realmente geram benefícios para a sociedade, continua o texto.
O projeto de lei passou ontem em primeiro turno de votação. Outros dois turnos de votação estão previstos antes da sanção do Executivo.


