Governo quer barrar CPI do Banestado na Câmara
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terça-feira, 10 de junho de 2003
Agência Estado 
Brasília- O governo armou uma operação para evitar que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a apurar a remessa ilegal de US$ 30 bilhões ao exterior pelo Banco do Estado do Paraná (Banestado) seja instalada na Câmara. Em mais uma desmonstração evidente da falta de articulação do governo com o PT, o presidente da Casa, João Paulo Cunha (PT-SP), surpreendeu e irritou o Palácio do Planalto com o anúncio da instalação da comissão. Restou ao governo a estratégia de adiar ao máximo o início da CPI, sob o pretexto de levar ao Congresso informações sobre a investigação realizada pelo Executivo.
A estratégia do Palácio do Planalto foi confirmada ontem pelo líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino (BA). Ao retornar de uma reunião da coordenação política com o chefe da Casa Civil, José Dirceu, o líder anunciou que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o controlador-geral da União, Waldyr Pires, deverão detalhar o curso das investigações aos deputados. ''O governo não é contra a CPI, mas achamos que ela não pode virar um palanque. Há uma série de fatos novos, envolvendo o Ministério Público Federal (MPF), e o ideal é que esses esclarecimentos ocorram agora'', afirmou Pellegrino.
Pellegrino argumentou ainda que, se as investigações forem conduzidas de forma errada, poderão causar problemas diplomáticos com os Estados Unidos, onde está sediada a agência do Banestado que processou as remessas de dólar por meio das contas CC5. Na mesma linha, o vice-líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP), defendeu prudência na instalação da CPI. ''Acho que é melhor esperar um pouco e conversar com o governo'', sugeriu, ao argumentar que ''o pior dos mundos seria haver uma disputa de apuração entre a CPI e o governo''.
Não é só o Planalto que está irritado com a abertura iminente da CPI. Os partidos da base aliada, até mesmo o PMDB, também não se conformam com o fato de todos terem se desgastado em vão no Senado para barrar o inquérito. Lembram que o autor do pedido foi um petista, que o maior número de assinaturas veio do PT e que acusam o presidente da Câmara de ter primeiro solicitado aos partidos de oposição que indicassem os representantes na CPI o PSDB, por exemplo, indicou o deputado Luiz Carlos Hauly como membro suplente - e só depois ter avisado o governo de que abriria o inquérito.
Como os senadores também irritaram-se com a atitude da Câmara, Dirceu convidou a autora do pedido de CPI no Senado, Serys Slhessarenko (PT-MT), para participar da reunião da coordenação. Na volta, coube a ela apresentar ao plenário requerimento pedindo informações a Bastos sobre o documento enviado ao governo brasileiro pelo governo norte-americano, dando conta do curso das investigações em Nova York.
Um dos estrategistas do governo no Congresso sugeriu que se negocie a não-instalação da CPI na Câmara para que os senadores também possam participar do inquérito numa comissão mista.


