Pela primeira vez, várias instituições federais – incluindo o Ministério da Justiça, Controladoria-Geral da União (CGU), Coaf, entre outros – o Judiciário e o Ministério Público trabalham junto no combate à corrupção. Para o ministro Márcio Thomaz Bastos, o trabalho que vem sendo feito pelo governo, principalmente via as operações desencadeadas pela Polícia Federal, pode passar à sociedade a impressão de que a corrupção está crescendo. ‘‘O que está aumentando é o combate a este tipo de crime. Hoje, corrupção não significa mais impunidade, significa cadeia, processo,’’, afirmou o ministro.
  O governo não tem estatísticas seguras sobre volume de recursos arrecadados do crime organizado, mas pretende fazer dos bens uma fonte de financiamento das operações de combate à corrupção e lavagem de dinheiro. Exemplo disso é a incorporação de um jato executivo pela Polícia Federal. O avião pertencia ao ex-policial civil João Arcanjo Ribeiro, o comendador Arcanjo, que está preso no Uruguai e acusado de comandar o crime organizado em Mato Grosso.
  Agora, os Ministérios da Justiça e da Fazenda querem ir além, administrando os bens de suspeitos, principalmente imóveis, que se tornaram indisponíveis até a decisão final da Justiça. Se o acusado for absolvido, receberá a renda com correção monetária. O próprio Arcanjo tem um shopping em Cuiabá, que, pelas novas regras, passaria a ter seus recursos gerenciados pelo poder público.
  Para o Executivo, o custo do combate à corrupção parece pequeno diante dos últimos resultados obtidos por 17 grandes operações feitas pela PF, que resultou em mais de 280 prisões, sendo 180 delas funcionários públicos da administração federal, estadual e municipal. ‘‘É um trabalho de limpeza que remonta a uma tradição antiga do PT: não transigir com a corrupção’’, diz Thomaz Bastos. ‘‘Estamos pegando quem deve ser pego. É o combate à corrupção feita de forma impessoal e republicano.’’
  O ministro cita várias exemplos de ações deste tipo, como as operações Anaconda – que prendeu dois delegados e um agente da PF, além do juiz federal João Carlos da Rocha Mattos e sua ex-mulher, a auditora aposentada Norma Regina Emílio Cunha; Praga do Egito que levou para a cadeia o ex-governador de Roraima Neudo Campos e outras 50 pessoas; e Vampiro, desencadeada para acabar com a máfia do sangue, formada por empresários, lobistas e funcionários do Ministério da Saúde. Entre eles, Luiz Cláudio Gomes da Silva, ex-coordenador da área de logística e homem de confiança do ministro petista Humberto Costa. (A.E.)

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