Curitiba - O governo estadual só irá anunciar a decisão sobre a homologação ou não do reajuste anual médio de 10% reivindicado pelas concessionárias de pedágio às vésperas do prazo para que os aumentos ocorram, no dia 1º de dezembro. Pelo contrato firmado com as concessionárias, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) deveria ter anunciado ontem se concorda com os cálculos feitos pelas seis empresas que exploram o pedágio no Estado. Porém, o DER enviou um ofício às concessionárias informando que ''por motivos operacionais, a verificação do reajuste deve ser concluída até o dia 30 de novembro''.
Segundo o diretor-geral do DER, Rogério Tizzot, o motivo para o adiamento da decisão são os degraus tarifários reivindicados por duas concessionárias: a Econorte e a Ecovia. Os degraus são reajustes adicionais solicitados pelas concessionárias por obras adicionais ou diminuição da receita provocadas por decisões do governo Lerner. ''A Ecovia reivindica um aumento de 22,5%, enquanto a Econorte pede entre 17% e 18% de aumento'' explicou Tizzot.
O diretor-geral do DER discorda do pedido de reajuste. ''Pelo contrato, temos apenas cinco dias para verificar a legalidade dos degraus. É um prazo curto para analisar um pedido de aumento para uma tarifa que já é cara. Decidimos então adiar a verificação de todas até o dia 30 de novembro'', afirmou.
Segundo Tizzot, as duas únicas empresas que devem ter o reajuste liberado sem maiores embargos são a Rodovia das Cataratas e a Caminhos do Paraná, que fecharam um acordo para reduzir suas tarifas em 30% no início do ano. ''Elas mostraram boa vontade para reduzir o preço das tarifas, e devemos atendê-las. Quanto aos outros pedidos, vamos analisar com mais cuidado'', disse Tizzot.
Para o presidente regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), João Chiminazzo Neto, o adiamento da reivindicação de reajuste é apenas uma manobra protelatória do governo. ''Não existe dificuldade nenhuma em verificar o cálculo. Ele é baseado em um índice simples, e em nenhum ano as concessionárias erraram o cálculo. Isso é apenas uma manobra política'', criticou. De acordo com Chiminazzo, as concessionárias irão decidir na segunda-feira se entram com uma ação na Justiça para exigir a verificação imediata do reajuste pelo DER.
Chiminazzo também desmentiu o valor dos degraus anunciado por Tizzot. ''O que podemos confirmar é que o reajuste médio é de 10%. Mas não são duas concessionárias que pediram os degraus, e sim quatro. E os valores dos degraus não são os divulgados pelo diretor do DER, que está prestando um desserviço aos usuários com essas informações confusas'', declarou.
No ano passado, as concessionárias só conseguiram o direito ao reajuste após recorrem à Justiça. O governo negou-se a homologar o reajuste no dia 1º de dezembro, alegando que uma auditoria nas empresas apontava indícios de que o valor das tarifas devia ser abaixo do que estava sendo cobrado. O Supremo Tribunal Federal, porém, negou os argumentos do governo e autorizou o reajuste em julho.

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