Governo propõe piso regional entre R$ 605 e R$ 629
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terça-feira, 03 de março de 2009
André Amorim e Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governo do Estado propôs um aumento de 14,9% em 2009 para o piso salarial regional, que deverá ficar entre R$ 605,22 e R$ 629,65. O anúncio foi feito ontem pelo secretário de Planejamento, Enio Verri, durante a reunião semanal da Escola de Governo. A proposta será encaminhada à Casa Civil que deverá remeter o projeto à Assembleia Legislativa no início da próxima semana para análise dos deputados. Se a medida for aprovada, o reajuste no Paraná será maior do que o aumento de 12,05% concedido ao valor do salário mínimo pago nos demais estados da federação onde não há diferenciação regional, que passou de R$ 415,00 para R$ 465,00 em fevereiro deste ano.
De acordo com o governo do Estado, o indíce de reajuste foi indicado por meio de um estudo feito pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), que debateu a proposta com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e dirigentes sindicais. O principal objetivo seria avaliar o impacto econômico do acréscimo ao valor praticado atualmento no Estado, que tem piso salarial mínimo entre R$ 527,00 e R$ 548,00.
O anúncio do reajuste provocou reações divergentes em setores da economia. O setor industrial prevê que o aumento pode motivar demissões. Por outro lado, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), destaca que o valor de R$ 605 a R$ 629 já é a média praticada no mercado. A estimativa do Dieese é que o novo piso regional pode beneficiar até 453 mil trabalhadores diretos e indiretos.
O coordenador do Conselho Temático de Relações do Trabalho da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Amilton Stival, lembrou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) foi de 6,43% no período e o governador Roberto Requião quer reajustar o piso em 14,9%. Ele destacou ainda que o salário mínimo nacional teve um aumento de 12%.
Stival prevê que, nas negociações das categorias organizadas e com convenção coletiva, os trabalhadores vão usar como média os 12% do mínimo nacional e os 14,9% do piso regional. ''Isso dificulta muito as negociações. Em vez de ajudar o setor industrial, isso vem na contramão. Esperamos o bom senso dos deputados estaduais e um comparativo com o INPC'', afirmou.
Segundo ele, vários setores industriais não estão conseguindo colocar os produtos no mercado e o consumo vem diminuindo. ''É preciso dar aumento para o piso, mas não nesse patamar'', disse.
O supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro, explicou que o piso regional é utilizado pelas empregadas domésticas e pelos trabalhadores inorganizados e sem convenção coletiva. Ele disse que o lado positivo é que o salário pode ser usado como valor de referência nas negociações dos sindicatos. ''Esse tem sido o mérito do piso'', destacou.
Cordeiro lembrou ainda que este é o terceiro ano do piso regional e que o salário não foi responsável por demissões. ''Pelo contrário, o Paraná bateu recorde de emprego e houve redução da informalidade. Isso aumenta o consumo e tem efeitos positivos na economia regional'', disse. (Colaborou Karla Losse Mendes)


