Governo propõe orçamento participativo na Lei Fiscal
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sexta-feira, 09 de abril de 1999
Agência Estado 
O Orçamento Participativo, uma criação do PT, será um dos pontos da proposta do governo para a Lei de Responsabilidade Fiscal, a ser divulgada na próxima semana. Ela obriga União, Estados e municípios a abrir, via Internet e consulta popular, a elaboração orçamentária e a prestação de contas.
O projeto, afirma um dos redatores, José Roberto Afonso, chefe da Secretaria de Assuntos Fiscais do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), vai do PT ao Fundo Monetário Internacional (FMI), defensor de medidas contra gastos públicos excessivos semelhantes às feitas na proposição.
O caso de Porto Alegre (cidade governada pelos petistas desde 1989) aparece em relatórios do Banco Mundial (Bird) e do FMI como exemplar, quando se trata de transparência, disse Afonso. Segundo ele, o texto determinará que os três níveis da administração deverão receber sugestões populares para elaborar os Orçamentos - a forma será definida por leis ordinárias específicas - e apresentar, a cada três meses e uma vez por ano, balanços com receitas, despesas, resultados, dívidas e patrimônio. Os números deverão estar na Internet, até mesmo os dos pequenos municípios, que fornecerão os dados para que a União os disponibilize.
Outra novidade será a obrigatoriedade, para Estados e municípios que quiserem se endividar no exterior (por exemplo, emitindo bônus), a apresentar relatório de análise de risco da operação, emitido por consultoria privada independente.
O texto proibirá o aumento real de despesas da Previdência Social, sem indicar a fonte de receita. Se esse ponto do projeto for aprovado sem mudanças, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não poderá dar aumentos acima da inflação, nem poderão ser criados novos benefícios sem que, por exemplo, seja aumentada a arrecadação ou diminuída a despesa do órgão.
Outro ponto será a obrigatoriedade, para União, Estados e municípios, de vincular operações de crédito a investimentos - proibição de endividamento para financiar gastos correntes, prática antiga dos administradores brasileiros.


