Governo propõe criação de cooperativa de crédito
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terça-feira, 15 de maio de 2007
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O governo do Estado está incentivando a criação de uma cooperativa de crédito para o funcionalismo público. A idéia é fomentar ações que levem o servidor a tomar empréstimos a custo mais baixo, sem depender das financiadoras e dos bancos privados. A experiência da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias (Faciap) foi levada ontem na reunião semanal do secretariado para incentivar os servidores estaduais. ''A diferença é que nos empréstimos comuns, o lucro é do banco. Na cooperativa, o lucro é dos cooperados'', explicou o governador Roberto Requião (PMDB).
O Estado já tem uma lei que autoriza a criação de cooperativas de crédito e o livre acesso delas ao funcionalismo público. As cooperativas cobram juros mais baixos do que o mercado e não aplicam taxas extras. Elas também dão isenção da taxa de IOF -hoje de 0,12% ao mês. ''O crédito consignado do funcionalismo elimina o risco do empréstimo. Isso faz com que o juro mensal de 2,3% de hoje acabe sendo reduzido para 1,4%, por exemplo, numa transação com o cooperativismo'', explicou o presidente da Faciap, Jefferson Nogaroli.
Requião ofereceu recursos da ordem de R$ 10 milhões a R$ 20 milhões para operacionalizar a organização da cooperativa, através da Agência de Fomento. ''As agências bancárias do interior estão fechando como uma retaliação porque o governo do Estado resolveu transferir as contas para o Banco do Brasil. Essas cooperativas seriam uma alternativa nesses municípios'', sugeriu Requião. Atualmente, 220 mil servidores públicos ativos e inativos poderiam ser associados da cooperativa de crédito.
A Secretaria de Estado da Administração e Previdência apresentou ontem dados que demonstram que atualmente 145 mil funcionários têm empréstimos e pagam regularmente com desconto em folha de pagamento. O volume do crédito consignado é de R$ 100 milhões - num total de R$ 700 milhões de saldo devedor. ''Estamos falando num grande volume de recursos. O Estado seria o fomentador da idéia, criando condições para substituição da carteira atual por uma modalidade de cooperação'', apontou a secretária Maria Marta Lunardon. Requião sugere que a cooperativa não tenha ligação sindical, até para evitar centralização de recursos. ''Não podemos transformar isso num instrumento de política sindical. Temos que fazer algo amplo, para todo o funcionalismo'', opinou.


