Governo promete menos discurso e mais ação
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sábado, 06 de março de 2004
Agência Estado 
Brasília O governo de Luiz Inácio Lula da Silva vai ganhar um novo formato político e administrativo. Será menos petista e mais de coalizão com os partidos que o integram, terá menos discurso e mais ação. Extingue-se o comitê central comandado por quatro ministros do PT chamado por eles mesmos de ''núcleo duro'', por serem ministros de primeira classe, por darem as diretrizes de tudo, em todas as áreas e ganham espaço auxiliares que se sentavam no banco da segunda classe e nem sempre tinham contato direto com o chefe.
Aos quatro do ''núcleo duro'' Antônio Palocci (Fazenda), José Dirceu (Casa Civil), Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) e Luiz Gushiken (Comunicação de Governo) , na reforma ministerial o presidente acrescentou Aldo Rebelo (Coordenação Política, que é do PC do B) e Jaques Wagner (Desenvolvimento Econômico e Social). Com isso, iniciou uma espécie de distensão interna e agora dá prosseguimento ao plano de levar para dentro do Palácio do Planalto auxiliares até então pouco ouvidos.
Foi quebrada a estrutura antes intransponível do petismo e levada para o núcleo próximo visões políticas mais abertas. Mas o desmanche não ficará só nisso. Ministros que se mostraram eficientes na crise, como o da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, passarão a ser chamados com mais assiduidade ao Palácio do Planalto, assim como os presidentes da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Eles também vão ganhar postos no novo conselho presidencial.
Depois do vendaval chamado Waldomiro Diniz, por mais de um ano o principal assessor do ministro da Casa Civil, José Dirceu, cresceu em Lula a vontade de fazer um governo pluralista. Chegou a dizer a auxiliares que gostaria de ter também o PSDB a seu lado. Acha que no futuro poderá haver uma aliança com os tucanos.
Segundo interlocutores de fora do núcleo central do governo, Lula ficou impressionado com a incapacidade de reação de seus principais auxiliares diante das crises mais agudas. O episódio Waldomiro abateu o ministro Dirceu política e emocionalmente e os outros não souberam reagir. Lula cobrou resultados. Não os obteve de onde esperava. Foi encontrá-los com Thomaz Bastos, João Paulo e José Sarney.
A fórmula utilizada pelo governo mostrou-se inviável administrativamente, porque promove o apartheid. Dois dias antes de ser demitido por telefone, o então ministro da Educação, Cristovam Buarque, contou à reportagem que não conseguia falar com seu chefe, o presidente da República. Tinha, antes, de passar por Dirceu. Quando Lula ia para o exterior, Dirceu agia como se fosse primeiro-ministro. Ao presidente interino, José Alencar, era reservada uma agenda pífia.
Ao fazer a reforma ministerial, em janeiro, Lula planejou um novo formato administrativo para seu governo. Dirceu passaria a ser um espécie de gerentão, para cobrar o cumprimento de metas dos outros ministros. No pós-crise, cresceu em Lula essa certeza. Numa reunião com seus ministros mais íntimos, Lula disse que a partir de agora o que interessa é a ação concreta, que ficará sob responsabilidade de Dirceu. Ele vai coordenar as ações entre os ministros, cobrar metas, apresentar resultados. Contatos com o Congresso serão feitos por Rebelo.


