Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Jogo de númerosLuiz Carlos (esq.): ‘Placar dos prefeitos é que está apertado’A Câmara dos Deputados deve votar hoje, em sessão extraordinária, a emenda que prorroga o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) por dois anos e meio. Depois de uma maratona de reuniões com os líderes governistas e as bancadas dos partidos aliados nos dois últimos dias, a relatora da proposta, deputada Yeda Crusius (PSDB-RS), concluiu que o governo têm os 308 votos necessários para aprovar uma emenda constitucional.
‘‘O FEF ganha disparado; o placar da emenda dos prefeitos é que está apertado’’, avaliou o ministro de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, ao chegar à Câmara no meio da tarde, para acompanhar as articulações dos governistas. Referiu-se a uma emenda que mantém intacta a parcela do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) destinada a cidades com menos de 50 mil habitantes. Apesar da intensa pressão de prefeitos de todo o País, que continuam o corpo a corpo no Congresso, o governo recusa-se a negociar mais compensações aos municípios.
A preocupação do ministro Santos não é sem razão. ‘‘Nessa emenda eu voto, porque é pouca coisa’’, disse o vice-líder do governo, deputado Rodrigues Palma (PTB-MT). Não é o único aliado do Palácio do Planalto que ameaça contrariar o presidente Fernando Henrique Cardoso. Há dissidências no PFL, no PPB e no PSDB do presidente. ‘‘Eu voto contra o FEF’’, resumiu o pepebista Cunha Bueno (SP). ‘‘Eu voto com a emenda do PT que elimina as perdas de todos municípios’’, antecipou o tucano Almino Affonso (SP).
Preocupado com os rebeldes do PMDB da Paraíba, onde até o vice-líder governista Ricardo Rique rendeu-se aos prefeitos e anunciou o voto contra o FEF, o governador José Maranhão voou no fim da tarde para Brasília. ‘‘Ele vem especialmente para reunir a bancada na tentativa de ajudar o presidente’’, contou o deputado José Aldemir (PMDB-PB). Apesar das resistências, o líder Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) garantiu pelo menos 70 dos 97 votos da bancada.
‘‘Vamos dar sustentação à posição do governo, mas tentaremos uma negociação até à última hora, em plenário, para poupar os municípios’’, disse o vice-líder do PMDB, Wagner Rossi (SP). ‘‘A Câmara é a casa do entendimento de última hora’’, admitiu o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). Mas ele também aposta na vitória. ‘‘Tenho 32 prefeitos que me apóiam, um deles meu irmão, e consegui convencer todos da necessidade do FEF’’, contou.
Preocupada com as dissidências, Yeda decidiu checar a margem de segurança para votar a proposta com o líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA). ‘‘O líder me disse que recebera de Inocêncio a garantia de que o PFL está fechado com o governo’’, contou Yeda.

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