O presidente Fernando Henrique Cardoso e a equipe ministerial fizeram um exaustivo balanço dos dois primeiros anos de administração na última reunião governamental do ano, realizada ontem na Granja do Torto, no Distrito Federal. A avaliação geral foi de que os dois primeiros anos de governo foram dedicados à desobstrução dos canais institucionais e à implementação de novos processos, segundo informou o porta-voz da Presidência, embaixador Sérgio Amaral, sobre a reunião ministerial.
Na reunião, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, fez uma avaliação positiva do processo de estabilização econômica. Segundo ele, a inflação deverá fechar 1997 em apenas um dígito e o país deverá crescer entre 1993 e 1998 quase 30%, chegando na virada do século, em 2001, com o Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 1 trilhão. Malan disse também que o déficit fiscal deve ser encarado como a prioridade para manter o processo de estabilização. O ministro afirmou ser fundamental a aprovação das reformas administrativa e previdenciária para a manutenção desse processo.
Segundo Malan, mais de dois terços das receitas da União estão comprometidos com despesas correntes da Previdência e com o pagamento de pessoal. Sobram apenas R$ 14 bilhões dos quais a metade é destinada à saúde.
Parte da reunião foi dedicada a uma explicação do ministro do Planejamento, Antonio Kandir, sobre a privatização da Companhia Vale do Rio Doce. Kandir explicou que os rendimentos da Vale sobre o seu patrimônio ficam em apenas de 1% a 2% ao ano, o que corresponde a cerca de 1/3 do rendimento da caderneta de poupança no mesmo período. O patrimônio da empresa equivale a R$ 11 bilhões, dos quais R$ 5 bilhões em poder do governo. Com a privatização, explicou Kandir, serão liberados entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões para o abatimento da dívida pública e projetos de infra-estrutura nos Estados.
Com a diminuição de gastos com juros da dívida e com recursos liberados para investimentos o ganho para o governo será maior do que o proporcionado atualmente pela estatal, segundo afirmou ministro.
O vice-presidente Marco Maciel negou ontem, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que tenha feito qualquer gestão para derrubar no Senado o projeto do senador Vilson Kleinubing (PFL/SC) para congelar o dinheiro dos títulos catarinenses. ‘‘Trata-se de matéria de competência exclusiva do Senado’’, afirmou o vice-presidente.
Kleinubing, que é vice-líder do governo no Senado, responsabilizou o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o vice-presidente Marco Maciel e o embaixador do Brasil em Portugal, Jorge Bornhausen, pelas articulações que derrubaram o projeto de resolução de sua iniciativa que congelaria o dinheiro dos títulos emitidos pelo governo de Santa Catarina.
Marco Maciel disse estranhar as declarações de Kleinubing e afirmou que não procurou o senador. ‘‘Pelo contrário, foi Kleinubing quem solicitou a audiência’’, informou a assessoria do vice-presidente. Na versão de Kleinubing, a operação de derrubada de seu projeto teria sido articulada por Bornhausen, que ligou de Portugal para Marco Maciel. Na quarta-feira, Maciel teria chamado Kleinubing ao Palácio e, na quinta-feira, recebido em audiência o governador catarinense Paulo Afonso Vieira.

mockup