Brasília - O governo se preparou para o atraso na aprovação do Orçamento-Geral da União deste ano, reservando R$ 18 bilhões de restos a pagar do ano passado para 2006. Mas não para tanta demora. Se o orçamento não for aprovado até o fim do mês, a administração federal corre o risco de entrar em colapso. A previsão do Ministério do Planejamento é de que falte dinheiro até para a compra de produtos básicos, como papel higiênico e cafezinho, e que o pagamento das contas de luz, água e telefone seja suspenso. Reajuste salarial para os servidores do Banco Central (BC), das agências reguladoras e do INSS não pôde ser pago.
  Desde 2000 o Congresso não atrasava tanto a votação do orçamento. Naquele ano, o Congresso só aprovou a lei orçamentária em maio, e o então presidente Fernando Henrique Cardoso enfrentou o caos, com a falta de tudo.
  A crise política que atingiu o País desde junho, quando o então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) denunciou a existência do mensalão, provocou uma paralisia no Congresso. A base governista enfraqueceu e os partidos de oposição aumentaram seu poder de ataque.
  O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que foi presidente da Comissão de Orçamento, concluiu que não haveria possibilidade de o Congresso votar a lei orçamentária até o final do ano. Desse modo, foram tomadas duas providências. Primeiro, a Lei de Diretrizes Orçamentárias, que tem de ser aprovada no primeiro semestre, previu a possibilidade de, em caso de não-votação do orçamento, o governo utilizar a cada mês 1/12 avos do orçamento para pagamento de custeio, como salários.
  Outra providência tomada pelo governo visou a garantir pelo menos uma parte dos investimentos. Inscreveu R$ 18 bilhões do orçamento de 2005 em restos a pagar neste ano. Desta quantia, reservou R$ 4,1 bilhões para investimentos.

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