Brasília - Na tentativa de encerrar o mais rápido possível as discussões sobre um salário mínimo maior do que os R$ 260 fixados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os líderes da base aliada pretendem votar no plenário da Câmara, na semana que vem, a Medida Provisória (MP) com o valor do novo mínimo. A maior preocupação do Palácio do Planalto é com as eventuais ausências dos deputados da base aliada no dia da votação.
No início da próxima semana, o presidente Lula vai se reunir com os líderes aliados para afinar o discurso e voltar a afirmar que o mínimo de R$ 260 é o máximo que o governo pode dar. Vai apelar também aos aliados para que a base esteja presente no dia da votação. O governo pretende pôr a MP do mínimo em votação com a presença de 400 deputados. ''Há uma sinalização clara para que a MP seja votada já na semana que vem. A ordem é dar a maior velocidade possível a essa votação'', disse o líder do PMDB, deputado José Borba (PR).
A expectativa do governo é que cerca de 70 deputados da base vão apoiar a proposta do relator da MP, deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), que fixou o mínimo em R$ 275. A maior dissidência deverá ser na bancada do PMDB: dos 78 deputados do partido, 25 deverão votar contra o governo. Já os partidos de oposição, PSDB e PFL, vão votar em bloco a favor do relatório de Maia. Ou seja: são 115 votos contra o mínimo de R$ 260. ''O governo sabe que quanto mais tempo demorar para votar o mínimo, pior será'', observou Rodrigo Maia.
O líder do governo na Câmara, deputado professor Luizinho (PT-SP), já avisou os líderes dos partidos aliados que a MP do mínimo será votada na próxima semana. A estratégia dos governistas é pôr em votação e derrubar o mínimo de R$ 275, conforme estabelece o relatório do pefelista. Em seguida, o deputado Virgílio Guimarães (PT- MG) será escolhido como relator de plenário da MP, mantendo os R$ 260 propostos pelo presidente.
Na semana passada, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), fechou acordo com os partidos de oposição para que a MP do mínimo tenha duas votações nominais no plenário. Além do relatório de Maia, a oposição pretende votar nominalmente emenda apresentada pelos tucanos e pefelistas que cria um abono extraordinário, referente à diferença entre o salário mínimo novo e o velho de R$ 240. ''Esse abono é para compensar o mês de atraso com que o governo reajustou o mínimo'', explicou Maia. Até 2003, o salário mínimo era reajustado em 1º de abril, mas este ano a data mudou para 1º de maio.
Tanto os partidos da base quanto os de oposição criticaram o valor do mínimo estipulado pelo presidente Lula. O PMDB apresentou emenda para que o mínimo seja de R$ 300. O PC do B defende R$ 280. Já os petistas apresentaram três propostas: uma que eleva o mínimo para R$ 280, outra para R$ 295 e uma terceira, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que propõe R$ 303. Segundo o relator da MP, das 78 emenda apresentadas, mais de 50 fixam um mínimo superior ao estabelecido pelo governo.

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