Governo prepara depoimento de Jorge
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terça-feira, 01 de agosto de 2000
Carmen Kozak Agência Estado De Brasília 
O governo e seus líderes no Congresso estão preparando o depoimento do ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas Pereira, previsto para amanhã em uma subcomissão do Senado criada ontem. Articuladores do governo e dirigentes do PSDB estão definindo as perguntas que serão feitas por senadores aliados. O ensaio envolve os aliados e o próprio Eduardo Jorge que, segundo amigos, há suas semanas prepara-se para a inquirição sobre suas ligações com o juiz foragido Nicolau dos Santos Neto e sobre sua evolução patrimonial.
Para isso, conta um ministro, os senadores aliados deverão assumir o comando da inquirição e tentarão antecipar-se à oposição apresentando as perguntas consideradas mais complexas. O tom mais hostil é esperado do PMDB e, segundo auxiliares de FHC, o Planalto tem garantias de que Jorge está preparado para responder a qualquer pergunta. Nada ficará sem resposta, garante um ministro. Os governistas juram não temer a ameaça da oposição, que garante ter munição nova para apresentar na hora do depoimento.
As perguntas a serem sugeridas para os aliados e a ordem de inscrição no depoimento serão definidas hoje à noite. Ontem, integrantes do comando do PSDB se revezavam em reuniões com o núcleo de articulação política do governo e com interlocutores de Eduardo Jorge. A simulação prévia de depoimentos de ministros e dirigentes de estatais foi utilizada algumas vezes no primeiro mandato de FHC.
O esforço dos aliados será concentrado no esclarecimento de dois pontos que arranham a imagem do Planalto: as ligações do ex-secretário com o juiz eram institucionais e não houve participação ou empenho dele ou de integrantes do Executivo na liberação de recursos para a obra inacabada e superfaturada do TRT-SP.
O PSDB, segundo um dirigente tucano, e o PFL darão o respaldo político necessário para que Eduardo Jorge apresente as explicações para a sua evolução patrimonial que afastem as suspeitas do MP de que são resultado de tráfico de influência. Caso nesse ponto não sejam apresentadas justificativas convincentes, os governistas estão preparados para mudar de discurso. Continuarão sustentando que a acusação de tráfico de influência não se aplica, porque Eduardo Jorge já estava fora do governo quando iniciou as atividades empresariais em questão.
O ensaio do depoimento na subcomissão, porém, não deixa os articuladores políticos do governo tranquilos. Dirigentes do PSDB afirmam que o menor deslize de Eduardo Jorge poderá ser fatal. O ex-secretário tem um perfil instável e, segundo políticos, entrou em depressão após dar entrevista na qual disse que Nicolau indicava juízes classistas que não dariam sentenças que comprometessem o Plano Real.
Tucanos e amigos da família asseguram que Eduardo Jorge está mais tranquilo. No Planalto, auxiliares de FHC preferem confiar no perfil profissional de Eduardo Jorge, que começou carreira no Senado na década de 60.


