Governo prepara decretos para implementar cortes
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quinta-feira, 12 de novembro de 1998
Leandro Donatti 
O staff do governador Jaime Lerner (PFL) passou todo o dia de ontem reunido na preparação do texto dos decretos que serão baixados pelo governo para implementar medidas do pacote de contenção e de aumento da arrecadação anunciado no início da semana. Um dos primeiros decretos a serem publicados em Diário Oficial será o que cria formalmente o Conselho de Planejamento Administrativo e Financeiro, integrado pelos secretários da Fazenda, Administração, Planejamento e do Governo.
Os demais devem tratar da proposta do governo em fundir, extinguir ou incorporar autarquias e empresas públicas estaduais. Na lista das estatais analisadas pelo corpo técnico que auxilia o governador na implantação das medidas estão a Ceasa, Iapar, Celepar, Claspar, Codapar, Mineropar, dentre outras. Outro decreto aguardado deve apontar os critérios para a redução de R$ 1 milhão ao mês da folha de comissionados (indicados por critérios políticos) e de R$ 16 milhões da folha dos ativos.
A proposta do Fundo de Previdência já está sendo preparada para a análise da Assembléia Legislativa. Os deputados aliados pretendem apreciar até o dia 15 de dezembro próximo a mensagem que cria a Paranaprevidência, um novo modelo previdenciário para os servidores. Antes de ir a plenário, a proposta vai passar pelo crivo das comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Finanças. A mesa executiva da Assembléia já determinou a publicação em avulso de mil cópias da mensagem.
Os deputados da base aliada tiveram a primeira audiência, no final da tarde de anteontem, com o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, para entender os detalhes do teor da mensagem. O líder do governo na Assembléia, Valdir Rossoni (PTB), disse que o governo do Estado pode ficar certo da aprovação do Fundo. A base de sustentação vai dar um voto de confiança, Vamos inclusive fazer economia nas nossas emendas ao orçamento, garantiu ele.
O presidente do Tribunal de Justiça, Henrique Lenz César, está em mãos desde a última terça-feira de uma cópia do projeto do Fundo. O desembargador disse que há uma preocupação da magistratura sobre o futuro modelo previdenciário. O ideal para nós, seria criar um Fundo próprio, mas o Renato Follador nos explicou que seria impossível a curto prazo. O nosso salário hoje já está comprometido em 40% com previdência.
Pelo projeto de Follador, servidores com rendimentos acima de R$ 1,2 mil, como é o caso dos magistrados, juízes do Tribunal de Alçada e desembargadores, terão contribuição adicional de 14% sobre o valor excedente, além dos 11% básicos. Precisamos ver o que isso vai representar, ponderou. Lenz César disse que além dos 10% para a previdência, os juízes contribuem 27% para Imposto de Renda e outros 10% de seus salários para associações.
No texto entregue à Assembléia, o governo avisa que para a proposta do Fundo vingar, o Estado terá de fazer um recadastramento geral dos servidores, em caráter obrigatório, no prazo máximo de dois anos. A recomendação é para se ter um banco de dados confiável, como o poder de detectar possíveis irregularidades porventura existentes. No recadastramento, serão colhidas informações relativas ao tempo de serviço, dentre outras.
Assim como a Paranacidade e a Paranaeducação, a Paranaprevidência funcionará como um serviço social autônomo, com contratos de gestão. A nova empresa, que cuidará da previdência do funcionalismo, ficará vinculada à Secretaria da Administração, que supervisionará os contratos de gestão. Esses serão fiscalizados ainda por um conselho fiscal e por outro administrativo, diz o projeto preparado por Renato Follador.
O projeto que aguarda o aval do deputados estaduais propõe ainda a criação de um cargo de diretor da seguridade social - cujas atribuições serão definidas por decreto-lei a ser baixado pelo governador -, bem como a extinção dos cargos da direção do IPE. Os funcionários da entidade poderão ser aproveitados na nova estrutura, a Paranaprevidência, desde que peçam exoneração da administração direta.


