Governo prega neutralidade no 2º turno
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quarta-feira, 04 de outubro de 2000
Agência Estado De Brasília 
Preocupados com o fortalecimento da oposição, os dirigentes nacionais do PSDB e do PFL assumem hoje, em reuniões de suas executivas, posição de neutralidade em pelo menos quatro das 11 capitais onde haverá segundo turno das eleições municipais. Em São Paulo, a orientação do PSDB nacional será para marcar posição contrária ao candidato do PPB, Paulo Maluf, mas adotando a neutralidade com relação à campanha da petista Marta Suplicy.
Tanto PSDB quanto PFL estão alertando seus diretórios municipais para o perigo de formarem alianças que possam prejudicar os partidos aliados ao governo na corrida presidencial de 2002. O PSDB só vai apostar nas alianças que não vão prejudicar a sucessão presidencial, afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL). A direção do partido avalia que o apoio ostensivo dos tucanos ao PT em São Paulo, que tem um projeto político claramente de oposição ao governo, significaria reforçar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva para a sucessão presidencial e eventualmente do deputado José Genoíno (PT-SP) para o governo estadual.
Não apenas em São Paulo, mas em outras capitais em que PT e PPS disputam segundo turno, o PSDB enfrentará sérios conflitos internos. É o caso do Rio de Janeiro, onde a posição de neutralidade é conveniente, mas o partido está dividido entre apoiar César Maia, do PTB, ou Luiz Paulo Conde, do PFL. Para os planos nacionais do PSDB, a melhor opção seria não reforçar o palanque de Ciro Gomes, que apóia a candidato petebista.
Para o PFL, tornou-se também conveniente adotar a neutralidade em São Paulo. O partido quer manter-se distante da campanha de Maluf, mas evita atritos com o PPB, que declarou apoio ao candidato pefelista em Curitiba, Cassio Taniguchi. Antes de viajar para a Alemanha, o presidente Fernando Henrique Cardoso acertou com o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), o apoio do governo aos candidatos pefelistas nos municípios onde os tucanos não disputam o segundo turno, como Rio Janeiro e Curitiba.
No entanto, todas essas articulações correm o risco de serem desfeitas, se não houver a concordância dos diretórios municipais. Essa recomendação chegou tarde, advertiu o presidente regional do PSDB no Paraná, senador Álvaro Dias, que fechou com o candidato do PT em Curitiba, Ângelo Vanhoni, para derrotar o pefelista Cassio Taniguchi. A aliança desagradou ao PSDB nacional e irritou o comando pefelista. O PT não dá apoio formal a ninguém, é preciso que haja pelo menos solidariedade entre os partidos da base, cobrou o senador Jorge Bornhausen, lembrando que o PFL já declarou apoio ao candidato tucano em Belo Horizonte, João Leite, que concorre com o prefeito Célio de Castro (PSB).
O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jader Barbalho (PA), passou o dia ontem conversando com parlamentares sobre possíveis alianças no segundo turno. Barbalho pretende fechar hoje ou amanhã a posição do partido, depois de concluir as rodadas de negociações.


