Governo pode rever empréstimo de carros
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segunda-feira, 28 de agosto de 2000
William França Agência Folha De Brasília 
A Presidência da República afirmou ontem que não há prazo previsto para decidir se mantém ou cancela os contratos de comodato com as montadoras de veículos. O jornal paulistano Folha de S.Paulo revelou, na edição de ontem, que a Presidência usa gratuitamente 28 carros cedidos por elas, o que contraria o Código de Conduta da Alta Administração Federal.
Segundo o porta-voz da Presidência, Georges LamaziSre, não há nenhum problema legal que impeça o uso dos veículos cedidos. Para ele, o uso dos carros também não fere nenhum princípio do código de conduta, lançado semana passada com pompa pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
O presidente, todavia, pediu avaliação do caso, mas sem indicar disposição de mudar a prática que vem desde o governo Collor (90-92). Nada impede que se estudem novas e possíveis alternativas para o caso, afirmou LamaziSre. Mas nada impede também que a situação fique como está, completou.
LamaziSre disse ainda que o contrato de comodato é assinado pela Presidência com as quatro mais antigas e, coincidentemente, as maiores montadoras do País (Volkswagen, Fiat, General Motors e Ford). A vantagem do contrato, para a Presidência, é a economia de gastos. Para as empresas, é fácil vocês (jornalistas) imaginarem, afirmou o porta-voz.
O artigo 7º do código afirma que a autoridade pública não poderá receber transporte, hospedagem ou quaisquer favores de particulares de forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre sua probidade ou honorabilidade.
Segundo LamaziSre, a assessoria jurídica da Presidência não vê problemas no comodato porque os contratos não envolvem a pessoa do presidente da República, mas sim a instituição. Também, segundo LamaziSre, porque os contratos acontecem independentemente de o presidente ser A ou B, uma vez que eles têm caráter impessoal.
As montadoras não fazem favor a uma pessoa. É um procedimento contratual, transparente e publicado no Diário Oficial da União, completou LamaziSre.
No caso de alguns ministérios que também usam carros por comodato a orientação do Planalto é que cada um decida o destino de seus veículos. Eles têm autonomia, afirmou LamaziSre.
O porta-voz disse ainda que FHC decidiu encaminhar ao Departamento de Documentação Histórica do Palácio do Planalto a obra em cerâmica que recebeu de presente do governador de Goiás, Marconi Perillo, na última sexta-feira.
A obra, de autoria do artista plástico Antônio Poteiro, vale bem mais que os R$ 100,00 estabelecidos no código de conduta como teto para o recebimento de presentes por autoridades. A decisão de FHC cria jurisprudência no texto do código que prevê o recebimento de presentes protocolares apenas de autoridades estrangeiras.
Ao final de seu mandato, os presidentes levam consigo o acervo que integra o Departamento de Documentação Histórica. O que, na prática, significa que ao deixarem o governo, os presidentes ficam com os presentes para si.


