Agência Estado
De Brasília
O governo avançou ontem na direção de um acordo com a base aliada para fixar o novo salário mínimo próximo dos R$ 150 como deseja a equipe econômica. A expectativa de ministros de Estado e políticos governistas é a de que o número seja anunciado amanhã, ou no máximo até segunda-feira. Os líderes dos partidos aliados vão discutir o assunto com o presidente Fernando Henrique Cardoso no fim da tarde desta quinta-feira, logo depois do depoimento do ministro da Previdência Social, Waldeck Ornélas, na comissão especial do salário mínimo.
O sinal de que o acordo pode estar próximo foi dado tanto pelo governo quanto pelos aliados. Todos adotaram o tom da conciliação em seus discursos. Ao mesmo tempo em que o presidente Fernando Henrique reuniu a equipe econômica e recomendou ‘‘empenho e criatividade’’ para chegar a uma solução, o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (BA), defendeu a ‘‘transigência como princípio da boa política’’ e o PMDB admitiu até aprovar os R$ 150, caso seja esse o maior valor possível, sem comprometer o ajuste fiscal.
A expectativa de pôr logo um ponto final no ‘‘cabo de guerra’’ entre governo e Congresso surgiu a partir de uma carta do senador Jáder Barbalho enviada ontem a Fernando Henrique. Irritada com a insistência do PFL em bancar um reajuste em torno dos R$ 180, a cúpula do PMDB reuniu-se durante um almoço na casa do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disposta a barrar ‘‘o falatório’’ pefelista.
O objetivo formal da carta foi o de pedir ao presidente que ‘‘esgotasse’’ a questão esclarecendo definitivamente aos aliados qual a cifra limite do governo. Mas a movimentação política foi bem outra. ‘‘É xeque-mate no ACM’’, resumiu um dirigente do PMDB.

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