Mauro FrassonReinhold Stephanes: ‘‘Vamos nos valer das regras de mercado’’O governo do Paraná corre o risco de ficar com um ‘mico’ de R$ 600 milhões tidos como ‘‘créditos duvidosos’’, na reta final do processo de privatização do Banestado. A informação é do presidente do banco, Reinhold Stephanes. Ele disse ontem em Curitiba, em visita à direção da Folha, que tem como meta a cobrança de R$ 100 milhões em créditos atrasados, ou seja, 10% de R$ 1 bilhão do passivo avaliado hoje. O ‘mico’ será coberto com parte do socorro de R$ 4,7 bilhões autorizados pelo Banco Central para saneamento.
Segundo Stephanes, a maioria dos devedores é empresas de médio e grande porte. ‘‘Estou querendo recuperar o banco e vamos nos valer das regras de mercado para cobrar créditos’’, observou. Stephanes disse que está propenso a acordos para resgatar dívidas que ele considera como ‘‘perdidas’’. ‘‘Vamos buscar os créditos, respeitando a ética, o mercado, o profissionalismo e a transparência’’, garantiu.
O presidente do Banestado disse que existem comitês em três instâncias à disposição para o fechamento de acordos com os inadimplentes. As negociações se estendem ainda aos clientes que se beneficiaram de operações duvidosas feitas pela Banestado Leasing, na gestão do ex-secretário Osvaldo Magalhães dos Santos, morto num acidente de carro em setembro passado, e que queiram saldar seus débitos com o banco.
Stephanes disse que já recebeu um sinal do BC de que será possível a prorrogação, por mais três meses, do prazo de 30 de junho reservado ao leilão. ‘‘Setembro seria um bom mês. A venda do Banestado pode ser o melhor negócio do mercado brasileiro, nesse processo de venda dos bancos estaduais’’, considerou o ex-ministro. Segundo ele, de quinta-feira passada até ontem o movimento das empresas de modelagem foi intenso. ‘‘O que para nós é um sinal de que vai haver disputa pelo banco’’, observou.
Ontem, terminaram as entrevistas com os representantes das empresas Goldman Sachs, Banco Pactual, Lehmann Brothers, Brascan, Paribas e Morgan Stanley. As seis empresas, todas com atuação em assessoria e consultoria empresarial, enviaram técnicos a Curitiba para dar informações e fornecer subsídios sobre a condução do saneamento do Banestado.
O ex-presidente do BC, Francisco Gross, foi o responsável pela exposição em nome da Morgan Stanley. A direção do Banestado entregou também, na delegacia regional do BC, ‘‘termo de compromisso de gestão’’, no qual estão relacionadas as políticas de saneamento adotadas pela diretoria com os primeiros R$ 2,7 bilhões liberados pelo governo federal há 10 dias. (L.D)

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