Governo pode ajudar prefeituras via MPs
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sexta-feira, 03 de abril de 2009
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Os municípios atingidos pela queda no repasse de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) poderão ser socorridos pelo governo federal via Medidas Provisórias (MPs) ou auxílio financeiro. A possibilidade foi aventada pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que participou ontem do encontro com prefeitos da Associação dos Municípios do Norte do Paraná (Amunop) e da Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi), em Cornélio Procópio.
O golpe sentido no orçamento dos municípios da região no primeiro trimestre, com a brusca queda do FPM, foi a tônica do encontro. A maioria dos 45 municípios que integram as duas associações tem menos de 10 mil habitantes e depende do fundo para manter a saúde financeira. Como já havia declarado no dia anterior, durante a abertura da 49 Exposição de Londrina, Bernardo disse que vai apresentar, na terça-feira, dia 7, uma série de alternativas ao presidente Lula para amenizar o problema, porém, quando questionado sobre quais medidas seriam, ele saiu pela tangente. ''Não vou dizer nenhuma delas. Se eu digo, o presidente lê a FOLHA de LONDRINA no fim de semana e eu tomo um puxão de orelha'', disfarçou.
No entanto, no prosseguimento da entrevista, o ministro deixou escapar algumas das alternativas que podem estar no relatório. ''De repente, medidas provisórias e auxílio financeiro em alguns casos podem estar neste pacote'', elencou.
Sobre a proposta apresentada anteontem pelos deputados federais dos partidos de oposição, que querem a utilização de recursos do Fundo Soberano para amenizar os prejuízos dos municípios, o petista foi áspero. ''A oposição está desnorteada. Eles foram contrários à criação do Fundo e colocaram na lei que o instituiu um texto que diz que ele (o Fundo) não pode ser utilizado em casos como esse.''
A queda do FPM foi causada pelo encolhimento da arrecadação do governo federal nos últimos meses. Um levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) aponta que a queda em março de 2009 em comparação com o mesmo mês do ano anterior foi de 16,4%. Apesar disso, Bernardo está otimista. ''O pior da crise já passou. Daqui para frente a queda do FPM deve ficar entre 3 e 5%'', arriscou.
Casas populares
Durante a solenidade que antecedeu a palestra do ministro, aberta ao público, as críticas foram para o programa ''Minha Casa, Minha Vida'', do governo federal, que prevê a construção de um milhão de casas no país, 44 mil delas no Paraná. As reclamações são por conta de o programa prever somente a contemplação de municípios com mais de 100 mil habitantes e, em casos especiais, cidades com mais de 50 mil habitantes.
''Tenho um terreno no meu município, com licença ambiental e todas as outras condições, mas não vamos ser contemplados com as casas'', lamentou o prefeito de Bandeirantes (32.290 habitantes), Celso Silva (PDT). O líder do governo Requião na Assembleia Legislativa, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), engrossou o coro dos descontentes com a regra dos 100 mil habitantes. Diante de uma plateia formada, na grande maioria, por habitantes de pequenas cidades, Bernardo não deixou o bonde passar. ''Temos que rever essa regra'', enfatizou, arrancando aplausos.


