Rio - O governo vai lançar em breve uma nova política industrial, com metas que serão monitoradas por um sistema informatizado, compartilhado pelo governo e pelo setor privado. As metas abrangerão não apenas indicadores mais gerais, como taxa de investimentos, participação do Brasil no comércio mundial e porcentual do Produto Interno Bruto (PIB) aplicado em pesquisa, mas também serão fixadas para cadeias produtivas, complexos industriais e setores da economia. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, é um dos principais articuladores, dentro do governo, da nova política industrial.
Segundo uma fonte de Brasília, que não está no governo mas tem ligações com a equipe econômica, a nova política industrial tem algumas de suas raízes numa série de estudos sobre cadeias produtivas coordenados por Coutinho, por encomenda do Ministério do Desenvolvimento, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso.
Recentemente, uma longa apresentação de slides foi exibida para Lula, com o esboço da nova orientação de política industrial. O principal responsável no BNDES por tocar a nova política industrial, segundo aquela fonte, é João Carlos Ferraz, diretor de Planejamento do BNDES desde junho de 2007.
Também estão envolvidos na formulação da nova política industrial o Ministério do Planejamento e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). A ABDI detém a secretaria-executiva do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), que está elaborando as propostas de política industrial a serem formalmente apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O desenho final depende da aprovação do Orçamento.
Segundo Reginaldo Arcuri, presidente da ABDI, o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, deu-lhe duas orientações básicas em relação à elaboração da nova etapa da política industrial. A primeira está ligada a aspectos operacionais, e a segunda foi uma ênfase de que a nova estratégia não deveria ter setores ''eleitos, escolhidos arbitrariamente''.
Isso significa que a nova política estará voltada para aspectos mais sistêmicos, com ênfase em inovação, tecnologia e exportações. Arcuri, porém, evita passar a impressão de que há uma ruptura em curso na política industrial, e diz que a ênfase em quatro setores - fármacos, software, bens de capital e semicondutores - da política anterior não será desmontada.
As metas da nova política industrial ainda estão em fase final de discussão, mas devem incluir a elevação para 0,65% do PIB dos investimentos do setor privado em pesquisa e desenvolvimento (P&D), o aumento da taxa de investimentos para 21,2% do PIB até 2010 e a ampliação das exportações brasileiras para 1,25% do comércio mundial.

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