Brasília - A estratégia do Palácio do Planalto para enfrentar o novo capítulo da crise política, na véspera do recesso parlamentar, consiste em isolar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atribuindo sua decisão de romper com o governo a uma posição de cunho "estritamente pessoal". A pedido da presidente Dilma Rousseff, a Secretaria de Comunicação Social divulgou ontem uma nota com três tópicos, na qual diz esperar que a postura do peemedebista "não se reflita nas decisões e nas ações da Presidência da Câmara, que devem ser pautadas pela imparcialidade e pela impessoalidade". O texto passou pelas mãos do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e não cita o nome de Cunha.
A maior preocupação do governo é com a votação que prevê a desoneração da folha de pagamento das empresas, prevista para agosto. A medida é considerada muito importante para o ajuste fiscal. Além disso, Dilma fará de tudo para se reaproximar do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também está na mira da Procuradoria Geral da República.
O vice-presidente Michel Temer, articulador político do governo, conversou ontem quatro vezes com Cunha. Embora não tenha sido surpreendido com o gesto do correligionário, não escondeu a contrariedade com a iniciativa. "Eu não sou um incendiário", disse o presidente da Câmara. Se dependesse de Cunha, porém, Temer entregaria agora o cargo de articulador político. O vice-presidente, porém, seguirá na tarefa. (Agência Estado)

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