Brasília - O governo foi derrotado ontem na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, que aprovou o convite para o presidente do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), Luiz Appolonio Neto, participar de audiência pública e explicar as denúncias de irregularidades na estatal. Também foram convidados para depor o ex-presidente da instituição Lídio Duarte, e Manoel Morais de Araújo, que ocupou a presidência do IRB interinamente no início deste ano e é vice-presidente Executivo do Instituto.
Já o ex-presidente do IRB Lídio Duarte deve ser ouvido hoje pela Polícia Federal. A expectativa é que ele esclareça suposta mesada de R$ 400 mil para o PTB, que seria obtida por meio estatal. A denúncia da suposta mesada foi publicada pela revista ''Veja''. O inquérito que apura irregularidades no âmbito do IRB corre paralelamente e é conduzido pela mesma equipe de policiais que investiga um suposto esquema de corrupção nos Correios. A ligação entre as duas estatais seria o PTB, partido em benefício do qual, conforme a ''Veja'', negociatas estariam sendo feitas.
A cúpula do IRB é loteada entre os partidos da base aliada: quatro dos cinco diretores da estatal devem os cargos a indicações políticas. Nomeado há cerca de dois meses para comandar o Instituto, Appolonio Neto, que é sobrinho do deputado Delfim Netto (PP-SP), foi indicado para o cargo com o apoio do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson (RJ).
A amigos, Delfim confidenciou que ficou profundamente irritado com o governo, que não se mobilizou para impedir a aprovação da convocação de seu parente. O deputado teria prometido que, a partir de agora, vai votar contra os interesses do Palácio do Planalto.
Delfim não gostou do comportamento de deputados da base aliada, como Carlito Merss (PT-SC), que não pediram verificação de quórum e deixaram o convite ser aprovado simbolicamente. O convite foi aprovado com os votos contrários dos deputados Francisco Dornelles (PP-RJ), Virgílio Guimarães (PT-MG), José Militão (PTB-MG) e Enivaldo Ribeiro (PP-PB). No momento da votação, Delfim saiu do plenário da Comissão.
O requerimento para convidar a cúpula do IRB é de autoria dos deputados do PMDB Carlos Willian (RJ) e Nelson Bornier (RJ), ambos ligados ao ex-governador do Rio Anthony Garotinho. ''Fui procurado por pessoas do governo que me pediram para retirar o requerimento com o convite, mas não poderia fazer isso depois de tantos indícios de irregularidades'', disse Carlos Willian. ''O que está por trás desse convite é o interesse de setores que estão incomodados com a transparência do IRB'', disse Carlito Merss.
A Comissão ainda não marcou a data do depoimento do presidente do IRB nem do ex-presidente e do vice-presidente da estatal.

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