Governo negou ajuda à Encol, diz empresário
Agência Estado
O ex-presidente da Encol, Pedro Paulo de Souza, afirmou ontem, em depoimento à CPI dos Bancos, que o governo se negou a ajudá-lo a superar uma crise passageira de fluxo de caixa, levando a Encol à falência. Souza centralizou as queixas e acusações aos bancos oficiais, em especial ao do Brasil (BB) que, na opinião dele, teve uma conduta pouco ética.
Souza está preso e é acusado, na Justiça, de gestão fraudulenta e temerária da Encol, que foi a maior empresa de construção civil do País. Não devia ter acreditado no Banco do Brasil; eles sempre arranjavam uma desculpa para não fazer o que prometiam. Segundo Souza, a principal causa da falência da Encol foi a taxa de juros que a empresa foi obrigada a pagar aos bancos.
O ex-dono da construtora contou que, sem linhas de longo prazo compatíveis com o financiamento habitacional, a empresa teve de recorrer a empréstimos de curto prazo, pagando juros superiores a 100% ao ano. Souza negou que a Encol tenha dado um prejuízo superior a R$ 200 milhões ao BB. Segundo ele, mesmo corrigida, a dívida é de cerca de R$ 103 milhões.
O Banco do Brasil habilitou, junto à massa falida da Encol, R$ 335 milhões, enquanto que a Caixa Econômica Federal quer receber mais de R$ 534 milhões para uma dívida de R$ 16,9 milhões, contraída em julho de 1995, disse Souza.





