Curitiba - Liberar recursos públicos para que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) coloque rádios comunitárias no ar seria desvio de finalidade das verbas públicas, afirma o presidente da CPI Mista da Terra, senador Alvaro Dias (PSDB). Para ele, o dinheiro destinado aos sem-terra deve ser usado exclusivamente para a reforma agrária. No Paraná, onde há a confirmação da existência de pelo menos uma rádio comunitária clandestina, o governador Roberto Requião (PMDB) afirmou ontem que não haverá liberação de verba para este fim. Porém, ele defendeu a liberação das frequências.
O MST, por meio de sua assessoria de imprensa no Paraná, informou que não tinha, ontem, ninguém que pudesse comentar sobre as rádios. Uma delas funciona em um acampamento na fazenda Araupel, em Quedas do Iguaçu (165 km a leste de Cascavel). Há especulações de que uma outra rádio estaria funcionando na mesma região, porém a Folha não conseguiu a confirmação. Um morador de Quedas do Iguaçu, que preferiu não se identificar, contou que a rádio do MST, que se chama ''Liberdade'', foi fechada há cerca de um mês pela Polícia Federal (PF). Porém, voltou a funcionar.
A rádio do MST em Quedas do Iguaçu vai ao ar em frequência FM e já é bastante conhecida na cidade. Além de veicular recados e informações para os acampados, a FM Liberdade toca músicas, faz propaganda institucional do MST e também comerciais (pagos) de lojas da região.
O MST nacional está pedindo ajuda do governo para bancar as rádios. A Folha publicou matéria, sobre o assunto, na edição do último domingo. No Paraná, Requião diz que não vai ajudar, mas defende que as rádios sejam liberadas para ir ao ar. Apesar de assegurar que não vai liberar verba para as rádios, no ínicio do ano a TV Educativa, que é controlada pelo governo do Estado, veiculou um documentário sobre os assentamentos do MST que deram certo.
A assessoria do Palácio Iguaçu garantiu ontem que o governo só entrou com o roteiro e que a produtora VBC fez toda a produção. Depois, a Secretaria de Estado da Educação fez cópias em sua própria estrutura e enviou a bibliotecas e escolas.
O governo do Estado disponibiliza ainda no acampamento da fazenda Aruapel um telecentro, com computadores ligados à internet. O Palácio Iguaçu informou que essa não é uma doação para os acampados e que os telecentros são, na verdade, instalados em diversas comunidades carentes. (Com Agência Estado)

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