O secretário municipal de Governo, Tercílio Turini, negou ontem que a gestão interina vá realizar qualquer mudança no quadro acionário da Sercomtel - atualmente, 55% das ações pertencem à Prefeitura de Londrina, e 45% à Copel. A afirmação foi feita durante audiência convocada, com urgência, ontem, pela Câmara Municipal, em reação à declaração do prefeito José Roque Neto (PTB) à FOLHA indicando que ''não há impedimento'' para que a Copel adquira até 49% das ações. Apesar da afirmação de Turini, a Câmara aprovou em primeira discussão projeto de lei que visa impedir qualquer negociação acionária na Sercomtel. Hoje à tarde, o prefeito se reúne em Londrina com o presidente da Copel para discutir as reivindicações da companhia estadual.
Reportagem publicada ontem pela FOLHA adiantou que a Copel está reivindicando autonomia para indicação do diretor financeiro da Copel em razão dos prejuízos gerados pela Ask Call Center - empresa coligada com passivo consolidado de R$ 19 milhões. Em ofício enviado ao prefeito, a Copel também cobrou alterações no pacto de acionistas da empresa.
O secretário de Governo reconheceu aos vereadores que a Copel quer autonomia para escolher o diretor financeiro, mas negou que a Prefeitura vá tomar uma decisão durante a gestão interina. Ele também afirmou que eventual alteração no quadro acionário só será definida pelo futuro prefeito. A única decisão emergencial se refere aos problemas da Ask - objeto de um estudo técnico que apontou a necessidade de venda da empresa.
''A Sercomtel tem que tirar dinheiro todo final do ano para pagar o prejuízo da Ask e isso não pode continuar. A sugestão é vender todas as coligadas. O valor da Adatel (empresa coligada do setor de TV a cabo), que tem lucro, pode ajudar a reduzir os prejuízos da Ask'', afirmou. O secretário explicou, porém, que não há impedimento legal quanto à Copel ampliar sua participação na Sercomtel - desde que a Prefeitura mantenha o controle acionário.
Apesar das declarações do secretário, os vereadores aprovaram ontem, em primeira votação, projeto de lei visando proibir a ''alienação, transação ou a transferência de ações da Sercomtel'' sem autorização legislativa prévia. O projeto, apresentado pelo vereador Joel Garcia (PDT), teve trâmite de urgência e passou pelo plenário por unanimidade. Garcia argumentou que a intenção da lei é ''preservar o patrimônio de Londrina''.
O presidente da Sercomtel, Mário Jorge de Oliveira Tavares, também foi convocado para prestar esclarecimentos ontem à Câmara, mas alegou problema de agenda para comparecer. Requerimento - de autoria do vereador Marcelo Belinati (PP) - aprovado no início da noite reconvocou o presidente da Sercomtel para a sessão da próxima quinta-feira e solicitou informações detalhadas sobre a dívida da Ask.

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