Governo nega conivência e ameaça processar ABCR
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O secretário de Estado de Segurança Pública Luiz Fernando Delazari afirmou ontem que processará judicialmente as empresas ou a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR-PR) caso insistam com a afirmação de que a secretaria teria sido conivente com a ação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Entre sábado e domingo o movimento invadiu e depredou cerca de dez praças de pedágio no Estado.
A ABCR afirma que acionou a polícia, no sábado, assim que os rumores das invasões chegaram às empresas, mas nenhum reforço policial foi enviado. Por volta de 17 horas de sábado, a ABCR teria alertado, por telefone, postos da Polícia Militar próximos a três praças de pedágio que foram invadidas. Segundo a ABCR, a Polícia Rodoviária Estadual também foi avisada sobre a invasão de outras quatro praças.
A concessionária Rodonorte, em pedido de liminar à Justiça Federal para a desocupação das praças de pedágio, acusou a atual administração do Estado do Paraná de liderar o movimento que promove as invasões, abrindo e destruindo cancelas de modo a permitir a passagem livre de veículos.
O secretário classificou como um ''absurdo'' a ação dos sem-terra. ''Direito a manifestação é uma coisa, mas depredação é outra'', disse. Ele reafirmou que a secretaria está investigando o ocorrido, inclusive com análise das imagens captadas pelas câmeras nas praças. Delazari alega, no entanto, que a secretaria não foi acionada para evitar as invasões. ''Eles podem ter avisado a Polícia Militar, mas não a secretaria'', resumiu.
Delazari também descartou a possibilidade de o governo determinar policiamento preventivo nas praças. ''Não temos como colocar polícia nesses lugares. As concessionárias que contratem segurança privada, elas têm dinheiro para isso'', disse.
A ABCR-PR ainda não concluiu levantamento dos prejuízos causados pelas ocupações. Na semana passada, primeiro o Movimento dos Uuários das Rodovias do Brasil (MURB) invadiu e abriu as cancelas de uma praça na BR-277. No sábado, foi a vez do MST promover invasões-relâmpago em mais nove praças. A Rodonorte calcula que apenas em sua praça de São Luiz do Purunã, nos três dias em que teve suas cancelas abertas pelo MURB, o prejuízo chegou a quase R$ 1 milhão. A ABCR está analisando as imagens do movimento para identificar os participantes e entrar com medidas judiciais contra pessoas e contra o MST, incluindo indenizações pelos prejuízos.


