O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga (PSDB), cobrou ontem do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), que é seu desafeto político, recuo na posição de declarar moratória da dívida. ‘‘Quem propôs o confronto é que tem de ceder’’, disse o ministro. Segundo Pimenta, o governo não vai ceder às pressões do governador. ‘‘O presidente não vai se dobrar a nenhuma ameaça. Nessa posição, assumida pelo governador Itamar Franco, não dá para dialogar: se ele quiser o diálogo que saia dessa posição.’’
Para o ministro, Itamar, ao anunciar a moratória, provocou uma crise com intenção de criar dificuldades políticas, que gerou também impacto na economia. O ministro tucano não acredita que sua presença na equipe do governo prejudica as negociações com Itamar Franco. ‘‘Sou um ministro mineiro e, apesar de ter uma visão nacional, tenho grande interesse pelas coisas de Minas’’, disse ele, insistindo que sua ação é de entendimento, não de confronto.
Outro mineiro, o ministro do Orçamento e Gestão, Paulo Paiva (PTB), reforçou as declarações de Pimenta da Veiga. ‘‘Acredito que o governador de Minas Gerais, que já foi presidente da República, sabe da responsabilidade de suas decisões’’, disse.
O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho (PFL), defendeu o movimento dos governadores comandado por sua irmã, a governadora maranhense Roseana Sarney, em reação a Itamar. (Ver nesta página). ‘‘Esta é uma reação natural dos governadores e não foi proposta pelo presidente Fernando Henrique Cardoso’’, disse.
O único ministro que saiu em defesa de Itamar Franco foi o peemedebista Eliseu Padilha, dos Transportes. ‘‘Na nossa visão, o presidente Itamar não se declarou contra qualquer pagamento das dívidas; ele disse que quer renegociar’’, afirmou Padilha, alegando que o governo federal não fará objeção a soluções alternativas que o governo de Minas vier a apresentar.

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