Governo não teme CPI, diz FHC
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Isabel Braga, Paula Puliti e Beth Cataldo Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem em Londres que o governo trabalhará para que as investigações das Comissões Parlamentares de Inquérito do Sistema Financeiro e do Judiciário prejudiquem o andamento da reforma tributária na Câmara dos Deputados. Essa é uma preocupação que todos temos, mas não é o que vai acontecer, disse em entrevista concedida após ser recebido pelo primeiro-ministro inglês, Tony Blair, acompanhado do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Felipe Lampréia. CPI tem de ser uma coisa encarada com tranquilidade, não tem de ser uma coisa encarada com um sobressalto, argumentou. O governo não tem nada a esconder, nada a temer.
Nas entrevistas que tem dado na Europa, o presidente defende o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes. A mim nada jamais foi dito que implicasse o doutor Chico Lopes, disse o presidente reiteradas vezes durante a viagem que termina amanhã. Em Lisboa, o presidente chegou a criticar a ação do Ministério Público ao usar um mandado de busca para procurar documentos na casa do ex-presidente do BC, e mais uma vez saiu em sua defesa. Na avaliação de assessores ligados ao presidente, Chico Lopes é inocente e está sendo prejudicado com declarações de pessoas que não merecem confiança.
O embaixador do Brasil em Londres, Rubens Barbosa, fez um resumo da reunião entre o presidente FHC e Tony Blair. Um dos principais pontos do encontro foi a reunião entre representantes da União Européia (UE), a América Latina e o Caribe, programada para junho no Brasil.
Fernando Henrique também pediu que a Grã-Bretanha dê apoio ao mandato para o início da negociação de uma área de livre comércio entre o Mercosul e a UE. As discussões só podem começar quando todos o países da UE aprovarem o mandato, mas a França tem resistido em apoiar a iniciativa porque não quer a inclusão do tema agricultura nas negociações, ao passo que, para o Mercosul, a inclusão é fundamental.
Segundo Barbosa, na reunião com Tony Blair, FHC afirmou que a expectativa do governo é de que a situação econômica do País até o fim do ano seja muito melhor do que estava sendo antecipado - o recuo do PIB deve ser menor do que o previsto no início da crise de desvalorização do real. Fernando Henrique disse a Tony Blair que o Brasil dá total apoio à iniciativa britânica para a criação de uma nova arquitetura financeira nacional relacionada a fluxo de capitais do mercado financeiro.
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