Governo não tem controle sobre bingos
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
Rio - A Caixa Econômica Federal (CEF) constatou a existência de 924 bingos no Brasil em 2001, quando a instituição era responsável pela autorização e fiscalização da atividade. Desse total, apenas 389 bingos buscaram se formalizar na instituição. Estes são os mais recentes números oficiais sobre a dimensão do setor de bingos.
A dificuldade de dimensionar a área está ligada à informalidade. Desde 2002, não há lei nacional que regulamente a atividade. A Caixa observa que alguns juristas entendem que a legislação de bingos é uma competência da União, e que, por isso, mesmo com a existência de leis estaduais ou de liminares em alguns Estados a favor do funcionamento desses estabelecimentos, o bingo é uma contravenção penal, por ser uma modalidade de jogo de azar.
Segundo a Associação Brasileira de Bingos (Abrabin), há em torno de mil casas no Brasil 460 em São Paulo , a atividade gera cerca de 120 mil empregos diretos e outros 210 mil indiretos e poderia render R$ 240 milhões anuais em arrecadação. ''A associação entende ser responsável pela defesa dos interesses de um setor que envolve, além das casas de bingo, os serviços de várias outras áreas, como empresas de arrendamento e comercialização de fábricas de máquinas e equipamentos para montagem de bingo, empresas de promoção, de segurança e de alimentação'', informa a página da Abrabin na internet.
Ninguém sabe quantas são as máquinas caça-níqueis existentes no País, que, segundo a Caixa, são ilegais. De acordo com a Abrabin, só nos bingos há cerca de cem mil, sem contar as localizadas em estabelecimentos como bares, lanchonetes e padarias.
A idéia de fechar as casas de bingos no País e recolher as máquinas de caça-níqueis começou a ser discutida há três dias na cúpula política do governo. Um dos primeiros defensores da proposta, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), chegou a encomendar a elaboração de um projeto de lei pela assessoria da Casa com a intenção de propor aos líderes partidários sua votação em regime de urgência pelos deputados.
De acordo com avaliação de interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a escolha de uma MP deixou para o governo e não para o Congresso a atitude afirmativa de enfrentar o problema que gerou uma crise para o Palácio do Planalto depois das denúncias envolvendo o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz, que apareceu em gravação de vídeo pedindo propina e contribuição de campanha ao suposto bicheiro Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira. ''O governo sai da defensiva'', resumiu um interlocutor de Lula.


