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Kraw Penas/Folha de LondrinaAmeaçaJosé Alberto Ribeiro, presidente da Apeop: ‘‘É uma irresponsabilidade, uma vergonha’’Um grupo de 25 empreiteiras que trabalham para o governo do Estado ameaça parar as obras em andamento caso o governo continue a manter a suspensão do pagamento dos serviços prestados por elas. Segundo a Associação Paranaense dos Empresários de Obras Públicas (Apeop), as empresas não recebem desde junho do ano passado. A dívida estaria acumulada em R$ 30 milhões.
O atraso no pagamento se refere principalmente a obras contratadas pela Sanepar e pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Somente a Sanepar estaria devendo R$ 15 milhões relativos às obras do Prosam, que têm financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O DER teria uma dívida acumulada de R$ 14 milhões, que se refere a obras de pavimentação de rodovias. O programa do DER também é financiado pelo BID. O financiamento é de R$ 150 milhões (valor que inclui a contrapartida do governo).
O presidente da Apeop, José Alberto Ribeiro, disse que a situação é preocupante para os empreiteiros. ‘‘Estamos convivendo com um governo que chegou à irresponsabilidade. É uma vergonha’’, criticou Ribeiro.
Sem poupar críticas à administração estadual, a qual ele classifica como a ‘‘pior dos últimos 20 anos’’, Ribeiro declarou que o governador Jaime Lerner sequer tem aceitado conversar com os empresários. Ele afirmou que o último governo deixou zerada as dívidas com as construtoras.
Segundo a Apeop, de todas as obras rodoviárias feitas ao longo do ano passado, apenas as construções das pontes de Guaíra e Porto Carmargo, no Oeste do Estado, foram pagas a partir de junho. O pagamento teria sido feito até o mês de setembro e em seguida teria sido cancelado. A ponte de Guaíra é feita pela empreiteira paulista Serveng-Civilsam e a de Porto Carmargo é construída pela CBPO, empresa baiana do grupo Odebrecht.
O presidente da associação disse que o setor espera uma resposta urgente do governo do Estado sobre a situação de inadimplência. Os empreiteiros querem discutir o assunto em uma audiência com o governador para falar sobre o assunto. ‘‘Não dá para esperar mais. Se não tivermos um cronograma, vamos parar mesmo’’, afirmou Ribeiro. Ele disse que as empreiteiras que trabalham para a Sanepar já avisaram que não vão continuar as obras.
Ribeiro disse que só agora a Apeop decidiu se pronunciar contra o governo para que as reclamações não se caracterizassem como questão política. ‘‘Se mostrássemos a situação no período da eleição, ia parecer perseguição política’’, justificou o presidente da entidade. Segundo ele, a ‘‘gota d’água’’ para a reclamação foi saber que tanto a Sanepar quanto o DER estão recebendo o financiamento do BID, mas não estão repassando os valores para as empreiteiras.

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