Folha de LondrinaDespesa extraCarlos Tavares: os hotéis fizeram investimentos para se adequar às exigências dos organizadoresO Sindicato dos Hotéis de Foz do Iguaçu e Região ameaça entrar na Justiça contra o governo do Estado para receber uma dívida que supera meio milhão de reais. Os gastos foram feitos pela Secretaria Estadual de Esporte e Turismo com a realização dos Jogos Mundiais da Natureza, entre os dias 27 de setembro e 5 de outubro. Fornecedores de alimentação, combustíveis e passagens aéreas também reclamam que ainda não receberam do governo.
Um mês após a realização dos Jogos, o presidente do Sindicato dos Hotéis, Carlos Tavares, apresentou ontem à imprensa o contrato firmado entre a entidade e o secretário estadual de Esporte e Turismo, Osvaldo Magalhães dos Santos. De acordo com o documento, o governo se comprometeu a pagar todas as despesas após o quinto dia útil da emissão da fatura. As notas fiscais, segundo o sindicato, foram emitidas no dia 10 de outubro.
Somente com os hotéis, o governo tem uma dívida de R$ 569.380,79. Esses valores representam diárias e refeições fornecidas por 25 hotéis da região. O presidente do sindicato também reclama que o setor teve prejuízos de mais de R$ 280 mil com a doação de 11.375 diárias de várias categorias para atletas e pessoal de apoio. ‘‘Os hotéis demonstraram confiança no projeto do governo do Estado e podem receber o calote como resposta’’, afirma Tavares.
Segundo ele, no caso específico de Foz do Iguaçu os hotéis se comprometeram a cobrar apenas café da manhã, almoço e jantar. As pernoites foram uma cortesia da rede hoteleira. O sindicato começa a estudar a possibilidade de entrar na Justiça contra o governo. ‘‘Não há um prazo limite para a nossa tolerância’’, diz o presidente da entidade.
De acordo com Tavares, o comitê dos Jogos Mundiais da Natureza fez uma série de exigências aos hotéis antes de firmar o contrato. ‘‘A maioria dos hoteleiros teve que fazer investimentos para se adequar às exigências e acabou recorrendo a empréstimos bancários. Na medida em que os bancos começam a nos acionar na Justiça, nós teremos que fazer o mesmo em relação ao governo’’, ameaça.
De acordo com o governo, os Jogos Mundiais da Natureza custaram cerca de R$ 45 milhões, incluindo a infra-estrutura. Pelo menos R$ 5 milhões, ainda segundo o governo, foram pagos pela iniciativa privada. O sindicato, porém, estima que os gastos chegaram a R$ 78 milhões.
O empresário Ermínio Gatti é um dos maiores credores dos Jogos Mundiais da Natureza. Ele é dono do Hotel Carimã - maior estabelecimento do ramo no Estado e que serviu de Comitê Central dos Jogos. Gatti disse que vai divulgar hoje os prejuízos sofridos com os Jogos. ‘‘A Receita Estadual não perdoa quem deve impostos, mas nós somos obrigados a ser tolerantes com o governo do Estado’’, critica.
Além da dívida com os hotéis, a Secretaria Estadual de Esporte e Turismo ainda não pagou vários comerciantes da região. Segundo levantamento da Folha, a dívida com alimentação e combustível supera R$ 45 mil. O secretário Osvaldo Magalhães admite que ainda falta pagar cerca de 10% das obras de infra-estrutura realizadas pela Construtora Tucumã. Segundo ele, a infra-estrutura geral para os Jogos custou cerca de R$ 35 milhões.
O gerente geral da Varig no Paraná, Bayarde Camargo Filho, informou que a companhia transportou 70% dos atletas estrangeiros que participaram dos Jogos. Ao todo, segundo a Varig, foram vendidas quase 500 passagens aéreas internacionais.
‘‘O pagamento ou não desse contrato depende de um posicionamento do Departamento de Contabilidade da companhia e nós ainda não temos um posicionamento disso’’, afirma. Somente com passagens internacionais, segundo apurou a Folha, o governo gastou cerca de US$ 600 mil.

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