Governo não paga e hotéis cobram dívida
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quarta-feira, 05 de novembro de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
Folha de LondrinaDespesa extraCarlos Tavares: os hotéis fizeram investimentos para se adequar às exigências dos organizadoresO Sindicato dos Hotéis de Foz do Iguaçu e Região ameaça entrar na Justiça contra o governo do Estado para receber uma dívida que supera meio milhão de reais. Os gastos foram feitos pela Secretaria Estadual de Esporte e Turismo com a realização dos Jogos Mundiais da Natureza, entre os dias 27 de setembro e 5 de outubro. Fornecedores de alimentação, combustíveis e passagens aéreas também reclamam que ainda não receberam do governo.
Um mês após a realização dos Jogos, o presidente do Sindicato dos Hotéis, Carlos Tavares, apresentou ontem à imprensa o contrato firmado entre a entidade e o secretário estadual de Esporte e Turismo, Osvaldo Magalhães dos Santos. De acordo com o documento, o governo se comprometeu a pagar todas as despesas após o quinto dia útil da emissão da fatura. As notas fiscais, segundo o sindicato, foram emitidas no dia 10 de outubro.
Somente com os hotéis, o governo tem uma dívida de R$ 569.380,79. Esses valores representam diárias e refeições fornecidas por 25 hotéis da região. O presidente do sindicato também reclama que o setor teve prejuízos de mais de R$ 280 mil com a doação de 11.375 diárias de várias categorias para atletas e pessoal de apoio. Os hotéis demonstraram confiança no projeto do governo do Estado e podem receber o calote como resposta, afirma Tavares.
Segundo ele, no caso específico de Foz do Iguaçu os hotéis se comprometeram a cobrar apenas café da manhã, almoço e jantar. As pernoites foram uma cortesia da rede hoteleira. O sindicato começa a estudar a possibilidade de entrar na Justiça contra o governo. Não há um prazo limite para a nossa tolerância, diz o presidente da entidade.
De acordo com Tavares, o comitê dos Jogos Mundiais da Natureza fez uma série de exigências aos hotéis antes de firmar o contrato. A maioria dos hoteleiros teve que fazer investimentos para se adequar às exigências e acabou recorrendo a empréstimos bancários. Na medida em que os bancos começam a nos acionar na Justiça, nós teremos que fazer o mesmo em relação ao governo, ameaça.
De acordo com o governo, os Jogos Mundiais da Natureza custaram cerca de R$ 45 milhões, incluindo a infra-estrutura. Pelo menos R$ 5 milhões, ainda segundo o governo, foram pagos pela iniciativa privada. O sindicato, porém, estima que os gastos chegaram a R$ 78 milhões.
O empresário Ermínio Gatti é um dos maiores credores dos Jogos Mundiais da Natureza. Ele é dono do Hotel Carimã - maior estabelecimento do ramo no Estado e que serviu de Comitê Central dos Jogos. Gatti disse que vai divulgar hoje os prejuízos sofridos com os Jogos. A Receita Estadual não perdoa quem deve impostos, mas nós somos obrigados a ser tolerantes com o governo do Estado, critica.
Além da dívida com os hotéis, a Secretaria Estadual de Esporte e Turismo ainda não pagou vários comerciantes da região. Segundo levantamento da Folha, a dívida com alimentação e combustível supera R$ 45 mil. O secretário Osvaldo Magalhães admite que ainda falta pagar cerca de 10% das obras de infra-estrutura realizadas pela Construtora Tucumã. Segundo ele, a infra-estrutura geral para os Jogos custou cerca de R$ 35 milhões.
O gerente geral da Varig no Paraná, Bayarde Camargo Filho, informou que a companhia transportou 70% dos atletas estrangeiros que participaram dos Jogos. Ao todo, segundo a Varig, foram vendidas quase 500 passagens aéreas internacionais.
O pagamento ou não desse contrato depende de um posicionamento do Departamento de Contabilidade da companhia e nós ainda não temos um posicionamento disso, afirma. Somente com passagens internacionais, segundo apurou a Folha, o governo gastou cerca de US$ 600 mil.


