Curitiba - O procurador-geral do Paraná, Sérgio Botto de Lacerda, comentou ontem que o governo do Estado não descarta a possibilidade de adquirir as ações da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) pertencentes a grupos privados. O Estado hoje possui 60% do capital votante da Sanepar. O restante (40%) é do grupo Dominó Holding. Já em relação ao capital total, o Estado possui 52,5% da fatia. O restante é dividido entre o grupo Dominó (34,7%) e investidores diversos (12,8%).
Uma suposta intenção do Executivo na compra foi revelada anteontem pelo presidente da Assembléia Legislativa, deputado estadual Hermas Brandão (PSDB), que permaneceu à frente do governo durante cerca de 60 dias em substituição ao governador reeleito Roberto Requião (PMDB) - que se licenciou para se dedicar exclusivamente à campanha política.
Questionado sobre os últimos trabalhos na Assembléia Legislativa, já que as sessões plenárias terminam no dia 15 de dezembro, o tucano revelou que o Executivo iria enviar uma mensagem à Casa, até o final do ano, para viabilizar a compra das ações. O procurador-geral negou que, concretamente, já exista alguma decisão sobre o assunto, mas não descartou a idéia. ''Ainda é objeto de estudo, mas possibilidade sempre existe. É claro que voltar a deter 99% é muito melhor do que 60%'', disse ele.
O diretor superintendente do grupo Dominó, Renato Faria, afirmou que atualmente não há qualquer tipo de conversa com o governo sobre as ações da Sanepar e preferiu não comentar o assunto antes da existência de algo concreto por parte do Estado. Desde o início da gestão Requião, em 2003, o governo do Estado e o grupo empresarial já protagonizaram mais de uma ''guerra jurídica'' relacionada às ações.

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