O governo do Estado sofreu ontem à tarde uma derrota política na Assembléia Legislativa. A base governista que dá sustentação ao governador Jaime Lerner (PFL) não conseguiu incluir na pauta ainda a mensagem que autoriza o governo estadual a se desfazer de todas as suas ações na Companhia de Energia do Paraná (Copel). Uma manobra da oposição, derrubando a sessão, garantiu o adiamento das discussões da matéria.
No Palácio Iguaçu, o clima era de muita tensão. O líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), foi chamado às pressas para justificar o fracasso e costurar nova estratégia. O governo tem pressa na aprovação da mensagem. A disponibilização das ações da Copel garante fôlego para os cofres do Estado, que busca no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) um empréstimo-ponte de R$ 1, 2 bilhão.
A troca de comando no BNDES, provocada com a queda de André Lara Resende por conta do grampo envolvendo o ex-ministro da Comunicação Luiz Carlos Mendonça de Barros, também preocupa o governo. Uma fonte no governo disse à Folha ontem que o Paraná quer garantir a liberação do dinheiro antes que o vice Pio Borges deixe o cargo. O governo não quer que as negociações com o BNDES voltem à estaca zero.
O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), passou o dia fora. Ele disse no início da noite que pretende dar ritmo acelerado à matéria hoje. ‘‘Se precisar, vou convocar sessões extraordinárias à tarde para liquidar essa questão. Sem o dinheiro do BNDES, o Paraná não paga o 13º salário e não coloca suas contas em dia’’, considerou. O deputado disse ainda que existem outras formas regimentais de se reverter o atraso.
Para ser incluída na pauta de hoje, os governistas terão de aprovar pela manhã um pedido de tramitação em regime de urgência. Logo em seguida, a matéria terá de passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O presidente da Comissão, Joel Coimbra (PTB), é o relator da mensagem. Ele antecipou seu relatório ontem. Ele aprovou integralmente a política de desestatização do governo, dando sinal-verde.
Coimbra disse que pode convocar a CCJ para reunião extraordinária a qualquer momento. Para se precaver de eventuais manobras da oposição, o deputado já avisou que a partir da semana que vem a comissão estará em regime de convocação permanente. Isso é, até o final do ano, os deputados da CCJ poderão ser convocados a qualquer tempo. ‘‘Tentaremos impedir novos adiamentos. A mensagem da Copel é crucial’’, disse.
A oposição passou o dia criticando a pressa dos governistas. Os líderes do PMDB, PT e PSDB atacaram o governo. A oposição quer que o governo admita a crise de caixa. ‘‘Seria mais fácil, explicar para nós que precisa do dinheiro’’, avaliou Orlando Pessuti, do PMDB. Florisvaldo Rosinha Fier, do PT, reclamou da tramitação da matéria. ‘‘Estão querendo aprovar tudo a toque de caixa’’, protestou.
O governo não quis comentar oficialmente a manobra bem-sucedida da oposição. Os aliados de Lerner sabem que o adiamento das discussões é temporário e quando a matéria for colocada em pauta, obterá o apoio da maioria governista. O Palácio Iguaçu não se manifestou, mas trabalhou nos bastidores. Houve um pedido expresso para que os deputados aliados compareçam na sessão hoje, pela manhã, garantindo quórum para votação.

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