Governo não cede no Orçamento 2000
Leandro Donatti
De Curitiba
O Palácio Iguaçu decidiu não ceder à exigência da oposição e mudar a fonte dos recursos financeiros para o cumprimento das emendas ao orçamento do Paraná para o ano 2000. O anúncio foi feito ontem à tarde pelo secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. O secretário reafirmou que o única fonte de recurso disponível tem como suporte a privatização da Copel, prevista para ser entregue à iniciativa privada no ano que vem. Gionédis disse ainda que quem define a fonte de pagamento das emendas é o governo e não os deputados estaduais.
Não sei nem por que estamos discutindo tanto. Nos governos anteriores, a oposição nem apitava. Agora, estão querendo ditar regras?, provocou Gionédis. O secretário da Fazenda assinalou ainda que o Tesouro do Estado não tem como bancar qualquer proposta de emenda, como reivindica a oposição. É uma fonte que mal dá para pagar a parcela mensal da dívida do Paraná com a União, a folha de pagamento e o custeio. Não sobra um centavo para fazer qualquer tipo de investimento. Os deputados de oposição estão imaginando coisa, reagiu Gionédis.
O secretário manifestou seu posicionamento para o líder do governo, Valdir Rossoni (PTB). O deputado é o responsável pelo meio-de-campo entre oposição e situação. Rossoni sinalizava ontem que a tendência é que só os parlamentares da base governista fechem posição com o governo e aceitem o limite de R$ 1,5 milhão por deputado para remanejamentos orçamentários. Eles estão insistindo. A minha posição é de que não haverá acordo nenhum com a oposição, declarou. Rossoni transferiu a reunião de ontem com a Comissão de Orçamento para hoje, às 11 horas.
A intenção era tentar amaciar os líderes da oposição para se chegar ao consenso. O governo quer colocar em xeque o discurso anti-privatizante da oposição. Bem como não quer ser acusado no interior de discriminar prefeitos e deputados de oposição. Participaremos do acordo, desde que haja garantia de liberação do dinheiro e que a fonte do recurso não tenha vínculo algum com a privatização da Copel ou Sanepar. Seria uma incoerência, reafirmou Orlando Pessuti, líder do PMDB. O deputado pediu ainda a liberação em três parcelas dos recursos para as emendas.
O líder do PT, Péricles Holleben de Mello, disse concordar com os remanejamentos em até R$ 1,5 milhão por deputado, mas que a sua bancada não aceita, em hipótese alguma, dinheiro proveniente da privatização da Copel. Isso seria um grande absurdo. Afinal de contas, somos contra a entrega do patrimônio público à iniciativa privada. Agora vamos nos valer desse dinheiro para cumprir nossas emendas?, indagou Holleben, mantendo o tom do discurso da oposição.
A colisão entre oposição e Fazenda favorece os deputados aliados. A maioria deles não tem esperança quanto ao cumprimento das emendas, porém, alguns manifestaram descontentamento total com o tratamento igualitário dispensado com os deputados de oposição. No entendimento dos lerneristas, o governo não tem que repassar dinheiro para os aliados do senador Roberto Requião (PMDB), adversário político do governador Jaime Lerner (PFL).





