O Palácio Iguaçu decidiu que não vai tomar nenhuma providência em relação às declarações do ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi, que em depoimento à Justiça Federal no dia 23 de fevereiro disse que a campanha do governador Jaime Lerner (PFL), em 1998, recebeu dinheiro desviado da Prefeitura de Maringá. Segundo o secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho – encarregado de esquadrinhar as 30 páginas com as quase quatro horas de depoimento –, as declarações não comprometem o governador, principalmente porque Paolicchi ressalvou no depoimento que Lerner não tinha conhecimento da origem do dinheiro.
Campêlo recebeu a cópia na terça-feira, depois de três pedidos formais à Justiça Federal – um deles assinado pelo próprio governador. ‘‘Não vamos atacar. Não é essa nossa posição, já que as declarações não acusam o governador’’, resumiu. Campêlo disse que o governo só vai tomar medidas no caso de surgirem novas acusações, e frisou que as contas de campanha do comitê de Lerner foram aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Paolicchi afirmou ainda que a campanha do senador Alvaro Dias, presidente estadual do PSDB, também recebeu injeção de recursos públicos de Maringá. O senador contestou o depoimento de Paolicchi e enviou suas contas de campanha, já aprovadas, à Justiça Federal. ‘‘Não vou mais falar sobre esse assunto. Já mostrei que não tenho nada a ver com isso’’, garantiu.
As declarações de Paolicchi provocaram uma crise política no Estado. Lerner chegou a afirmar que ‘‘os culpados pelos desvios na Prefeitura de Maringá estão na oposição’’, referindo-se ao PSDB (partido ao qual pertencia o ex-prefeito de Maringá, Jairo Gianoto). Por conta do caso, a bancada tucana na Assembléia Legislativa, composta por seis deputados, chegou a cogitar a possibilidade de deixar de apoiar o governo, mas acabou permanecendo na base de sustentação.
Paolicchi, preso desde o dia 7 de dezembro, está sendo investigado pelo Ministério Público por desvios de recursos. O Tribunal de Contas do Estado (TC) já detectou rombo de R$ 54 milhões, de 1997 a 2000 (gestão Gianoto). Se incluída a gestão do ex-prefeito Said Ferreira, desvios podem chegar a R$ 70 milhões.

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