Governo não acredita que haverá retaliação
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sexta-feira, 07 de fevereiro de 1997
Mari Tortato Sucursal de Curitiba 
Arquivo/Folha de LondrinaGiovani Gionédis: Assunto específico do governadorO secretário-chefe da Casa Civil do governo do Paraná, Giovani Gionédis, disse ontem não acreditar que o governo federal engavete liberações de verbas decorrentes de convênios com o governo do Paraná, em consequência da crise que se estabeleceu entre o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, e o governador Jaime Lerner. Motta prometeu destruir politicamente Lerner, a quem chamou de uma ficção.
O ministro acusa Lerner de não ter se empenhado pela aprovação da emenda da reeleição, que favorece uma nova candidatura de Fernando Henrique Cardoso à presidência da República, em 1998.
É impossível acreditar em retaliação, disse Gionédis, ao informar que o governo do Paraná mantém vários convênios com o governo federal. Como outros secretários ouvidos pela Folha, o chefe da Casa Civil não quis se estender na questão política do confronto entre Motta e Lerner. Este é um assunto específico do governador, alegou Gionédis.
Na área administrativa, Gionédis citou o programa Comunidade Solidária - de socorro à população carente com cestas de alimentos - a manutenção da população carcerária do Estado, via Secretaria da Justiça, os recursos para investimentos em habitação popular, com liberações da Caixa Econômica Federal para a Secretaria da Habitação, e as obras rodoviárias ligadas à Secretaria dos Transportes.
A Coordenação de Orçamento Geral da Secretaria da Fazenda contabiliza na conta de convênios com o governo do Estado uma previsão de recursos da ordem de R$ 423,3 milhões para o Paraná, em 97. Só para a Secretaria dos Transportes, o volume aprovado - mas não necessariamente garantido - é de R$ 141,2 milhões. As obras da Ferroeste ficariam com R$ 31,8 milhões. O Porto de Paranaguá, com R$ 11,5 milhões. Outros R$ 7,2 milhões serão destinados a ampliações dos aeroportos de Maringá e Cascavel.
No ano passado, o volume efetivamente empenhado pelo governo federal para o Paraná nesta mesma conta foi de apenas R$ 82,1 milhões, conforme dados fornecidos pelo coordenador do orçamento, Otaviano Fabri Ferraz. O secretário Gionédis diz que do volume aprovado no Orçamento da União em 96, o governo federal não repassou nada do que estava previsto nas emendas coletivas da bancada.
Na área de habitação popular, os dois governos anteriores estavam bancando expansão dos programas exclusivamente com recursos do tesouro do Estado. O governo federal não liberava recursos desde 91. A Secretaria do Paraná retomou os convênios com a Caixa Econônica no ano passado, garantindo uma cota de apenas R$ 25 milhões. Para 97, o governo está contando com R$ 41 milhões. Este volume é suficiente para erguer cerca de 10 mil moradias.


