Curitiba O governo estadual não irá realizar a demissão coletiva dos cerca de 9,7 mil professores celetistas da rede estadual no dia 31 de janeiro, como estava previsto. Após uma reunião com representantes da Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), o governo concordou em mudar as regras para a demissão dos professores contratados segundo a Consolação dos Leis do Trabalho (CLT). As demissões fazem parte do plano do governo de extinguir os celetistas e empregar professores apenas através do quadro próprio do Estado.
Segundo o presidente da APP-Sindicato, José Lemos, as demissões só ocorrerão após o processo de distribuição de aulas para os professores, previsto para ocorrer durante toda a semana que vem. ''Durante o processo, os professores do quadro próprio do magistério têm preferência. Se o professor celetista não conseguir nenhuma aula, ele terá seu contrato rescindido'', explicou Lemos.
Ele também destacou que alguns professores estarão isentos do processo de corte dos celetistas. Docentes com licença médica ou em licença-maternidade não serão demitidos. ''Aqueles que ocupam algum cargo eletivo, como diretor ou supervisor da escola, também serão poupados'', afirmou.
Apesar de terem chegado a um acordo quanto a quais professores podem perder o emprego, o governo e a APP-Sindicato ainda discordam da maneira como será efetivada a demissão. O governo não pretende pagar a multa rescisória de 40% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), prevista na CLT. ''A alegação do governo é que a contratação dos professores pela CLT é ilegal, e portanto o Estado não poderia pagar a multa rescisória. O fato é que milhares de professores cumpriram todos os deveres de celetistas, e é justo que tenham os direitos dos celetistas também'', argumentou Lemos.
Os professores também não concordam com outro ponto, ainda mais polêmico: o reajuste salarial oferecido pelo governo para o novo Plano de Carreira, Cargos e Vencimentos (PCCV) da categoria. Durante a reunião de ontem, técnicos da secretaria da Educação passaram horas se debruçando sobre as tabelas com os reajustes. Sem chegar a um consenso, uma nova reunião foi marcada para amanhã.

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