Brasília - Depois de passar um período alheio ao trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, o governo montou uma estratégia para tentar mudar os rumos da comissão. A base governista decidiu alterar até mesmo a composição da CPI para acompanhar, mais atentamente, as iniciativas da comissão, definida por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ‘‘CPI contra o PT’’.
Dominada por oposicionistas, a CPI irritou integrantes da administração federal ao tomar, há 15 dias, o depoimento do chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Carvalho foi ouvido para falar de um assunto tabu no partido, a morte do ex-prefeito de Santo André, no Grande ABC (SP), Celso Daniel. De lá para cá, o Poder Executivo deu início a uma operação para evitar mais dores de cabeça.
Por decisão da liderança do PT, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi escolhido para ocupar uma das vagas de titular da comissão parlamentar no lugar do senador Sibá Machado (PT-AC), que tinha dificuldades para acompanhar mais de perto os trabalhos da CPI dos Bingos por causa da participação em outras duas comissões, a do Mensalão e a dos Correios. Outra mudança foi a escolha da senadora Ideli Salvatti (PT-SC) para a vaga de suplente. ‘‘Estamos tentando mudar a correlação de forças na CPI porque chegamos à conclusão de que a comissão se transformou numa arma política contra o PT’’, afirmou a senadora. ‘‘O caso Santo André não tem conexão com o esquema dos bingos’’, disse Ideli.
O relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), defendeu as investigações da comissão. ‘‘Nós sabemos que o objetivo é apurar as irregularidades ligadas às casas de jogos, mas nós sabemos também que há conexões entre a máfia do lixo, dos transportes e dos bingos’’, disse Alves. Segundo ele, há indícios de que, por trás do assassinato de Celso Daniel, estejam esquemas ilegais comandados por empresas de transportes, dos bingos e do lixo.

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