Curitiba - Pré-candidato do PMDB ao governo do Paraná nas eleições de outubro, Orlando Pessuti, vice-governador do Estado, foi pessoalmente ontem à Assembleia Legislativa entregar o ''pacote'' de propostas relacionadas ao salário mínimo regional. Membros de centrais de trabalhadores lotaram galerias e até o plenário da Casa, espaço normalmente restrito aos parlamentares, para aplaudir o discurso do peemedebista. Depois do discurso, em entrevista à imprensa, Pessuti negou que se tratasse de um ''palanque'' pré-eleitoral. ''Minha presença era uma reivindicação das centrais e do próprio governador Requião'', comentou ele. Inicialmente, a entrega das propostas ao Legislativo estava prevista para o dia 2 de fevereiro, dia da primeira sessão plenária depois do recesso parlamentar, mas acabou adiada porque, naquela data, as centrais de trabalhadores estavam em Brasília.
As três propostas devem entrar hoje na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Uma delas prevê um reajuste de até 21,5% no salário mínimo regional, conforme já anunciado no início do ano. O piso estadual hoje em vigor varia entre R$ 605,52 e R$ 629,45, dependendo da categoria de trabalho. Se a proposta do Estado for sancionada, a variação pode ficar entre R$ 663,00 e R$ 765,00. O mínimo regional só vale para trabalhador que não possui representação formal, como o empregado doméstico.
Outra proposta prevê a criação de um mecanismo que obrigue todas as empresas que têm contrato com o governo do Estado a pagar para seus funcionários o valor estabelecido pelo piso regional, no mínimo.
Por último, foi protocolada uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que, no entendimento da atual gestão, garantiria a permanência de reajustes semelhantes aos que já foram aplicados. Se aprovada, a Emenda à Constituição obrigaria o Estado a adotar a mesma base de cálculo para todos os reajustes futuros do piso regional. A atual gestão acredita que para se chegar ao índice de reajuste é preciso levar em conta a variação do Produto Interno Bruto (PIB) da economia paranaense referente a dois anos anteriores e a variação da inflação de um ano anterior. Ou seja, para um reajuste em 2011, por exemplo, seriam consideradas a variação do PIB do Paraná do ano de 2009 e a inflação de 2010.
A classe empresarial já se manifestou contra os índices de reajustes propostos. Ontem, o coordenador do Conselho Temático de Relações do Trabalho da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Amilton Stival, reforçou o entendimento: ''O empresário não é contra o reajuste, e sim os índices anunciados. E gostaríamos que a classe patronal fosse ouvida''.

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