Brasília - O Palácio do Planalto montou uma operação para blindar o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, acusado de multiplicar o seu patrimônio por 20 em quatro anos. A estratégia contou com uma espécie de ''nada consta'' pronunciado pela Comissão de Ética Pública da Presidência, declarações de apoio palacianas, mas foi bombardeada dentro do próprio PT.
Em reunião com a coordenação do governo, na manhã de ontem, a presidente Dilma Rousseff disse que a denúncia faz parte de um jogo político para desestabilizar o início de sua gestão e pode ter desdobramentos no Congresso. Na sua avaliação, porém, a acusação não se sustenta.
''Isso é guerra política, mas não tem como prosperar'', afirmou Dilma, segundo relatos de dois ministros presentes à reunião, que contou com a presença do próprio Palocci. De qualquer forma, enquanto a oposição e até mesmo alguns petistas cobravam explicações públicas do chefe da Casa Civil, o governo formou um cordão de proteção em torno do braço direito de Dilma.
No Planalto, o presidente da Comissão de Ética, José Paulo Sepúlveda Pertence, e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, saíram hoje em defesa de Palocci. Um dos principais coordenadores da campanha de Dilma ao Planalto, Palocci comprou um apartamento de luxo em São Paulo, em novembro, por R$ 6,6 milhões. Um ano antes, ele já havia adquirido um escritório na cidade por R$ 882 mil.
Segundo informações reveladas pelo jornal Folha de S. Paulo, os imóveis foram comprados pela empresa de consultoria Projeto, da qual o ministro tinha 99,9% do capital. Em 2006, quando concorreu a deputado federal, sete meses após deixar o Ministério da Fazenda - abatido no rastro do escândalo da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa -, Palocci declarou patrimônio de R$ 375 mil à Justiça Eleitoral.
Sepúlveda Pertence disse que Palocci o procurou, em dezembro, para saber se não haveria conflito de interesse em assumir a Casa Civil sendo proprietário da consultoria Projeto. Foi o próprio presidente da Comissão de Ética que o orientou a mudar o contrato da empresa, reduzindo-a a uma administradora de imóveis. Palocci, então, contratou um banco para administrar seu patrimônio.
Ao lembrar que o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles também deixaram a direção de empresas quando assumiram o governo, Pertence disse não haver irregularidade na ação de Palocci. ''Ele nos perguntou se a fórmula nova da empresa era adequada e nós entendemos que sim'', argumentou.
O assunto ocupou ontem a primeira parte da reunião de três horas e meia da Comissão de Ética da Presidência. De acordo com Pertence, porém, nada há a investigar. ''Não nos cabe indagar a história da fortuna dos pobres e dos ricos que se tornaram ministro'', insistiu ele.
No final do dia, depois de reuniões para medir a temperatura da crise, a avaliação no Planalto é de que o assunto ''está encerrado'' e só será ''requentado'' se a oposição quiser criar um ''factóide'' e convocar Palocci a depor. Para Gilberto Carvalho, não há problema com o chefe da Casa Civil, definido por ele como ''peça fundamental''. ''A Comissão de Ética limpou o terreno'', resumiu o titular da Secretaria-Geral da Presidência. ''Ela é muito rigorosa, não brinca em serviço e fez um pronunciamento claríssimo.''

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