Brasília- O governo está se mobilizando para garantir a vitória, hoje, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, a aprovação da taxação dos servidores públicos aposentados e pensionistas, prevista na reforma da Previdência. Além de trocar deputados de partidos base que ameaçavam votar contra a proposta, líderes governistas foram ontem à CCJ para fazer uma última tentativa de convencer parlamentares aliados do PMDB e do PDT a não votar contra a taxação. O principal alvo dos governistas foi o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), que fez um discurso veemente contrário à cobrança de contribuição previdenciária dos inativos.
Recém ingresso na base aliada ao Palácio do Planalto, a expectativa é que o PMDB dê apenas três do total de oito votos que tem na CCJ ao governo. ''Estou aqui fazendo uma sustentação jurídica, ou seja, colaborando com a governabilidade para que não haja transtornos no futuro'', explicou Temer ao atento líder do governo na Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), que foi a CCJ especialmente para ouvir o peemedebista. ''Quem sou eu para constranger o presidente Temer. Vim aqui ouvir os seus argumentos jurídicos'', desconversou mais tarde Rebelo, ao ser perguntado sobre sua presença na Comissão.
Antes de Aldo Rebelo, Temer recebeu também na Comissão a visita do líder do governo no Congresso, senador Amir Lando (PMDB-RO). A expectativa de lideranças peemedebistas alinhadas ao Planalto é que amanhã, no momento da votação da taxação dos inativos, Temer esteja ausente porque tem um encontro marcado, às 11h30, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o vice-líder do governo na Câmara, deputado professor Luizinho (PT-SP), a liderança do PMDB também estaria providenciando a ausência da CCJ de outro deputado do partido que promete votar contra o governo.
O empenho do governo dava a garantia ontem de que a reforma da Previdência, incluindo a taxação dos inativos, será aprovada hoje com tranquilidade na Comissão. O placar mais pessimista previa que a taxação passará com os votos de 34 do total de 57 votos da CCJ. O placar mais otimista previa 40 votos favoráveis ao governo. O Palácio do Planalto conta com 26 votos dos partidos aliados - dez do PT, quatro do PTB, cinco do PL, três do PSB, dois do PPS, um do PC do B e um do PV. O PDT é da base aliada, mas ameaça dar seus dois votos na CCJ contra a taxação dos inativos.

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