Brasília O governo reuniu ontem os líderes aliados na Câmara para tentar desfazer a idéia de que a reforma tributária seria fatiada, como admitiu ontem o senador Aloizio Mercadante (PT-SP). O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, convidado para um café da manhã com os líderes, reforçou a necessidade de a Câmara intensificar esforços para aprovar os dois turnos da reforma tributária e orientou o deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) a fazer um relatório ''enxuto'' para apresentar aos líderes até sexta-feira. ''Se depender do governo, vamos aprovar o texto original'', disse o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, antes de telefonar para Palocci e convidá-lo para o encontro, na residência do deputado João Paulo Cunha (PT-SP).
Coube ao ministro da Fazenda dar a dimensão dos objetivos do governo: uma proposta voltada para o crescimento econômico, e não para o pacto federativo, ou seja, uma reforma tributária que desonere o setor produtivo mas que mantenha neutra a partilha dos recursos entre União, Estados e municípios. Ele alertou para que a votação seja acelerada na Câmara e o texto encaminhado ao Senado o mais rapidamente possível.
Uma das mais importantes medidas aprovadas na reunião para acelerar a votação e evitar disputas internas na base aliada foi o entendimento de não serem apresentados destaques ao relatório na Comissão Especial nem no plenário. ''Vai ter traição na base?'', perguntou o líder do PMDB, deputado Eunício Oliveira (CE), preocupado com a possibilidade de algum partido não cumprir a orientação.
O deputado Paulo Bernardo (PT-PR) disse que a idéia de fatiar agora a reforma tributária seria mal interpretada no mercado. ''Fica parecendo que o governo quer uma reforma restrita à aprovação da CPMF permanente e à Desvinculação das Receitas da União (DRU)'', disse o deputado. Depois de acertar com o relator os principais pontos da reforma tributária, o ministro Palocci foi enfático, ao se dirigir a Virgílio: ''Se tiver algum ponto que precisa ser incluído, mas que não abra rombo no Orçamento, você examina''.
Os líderes governistas ressaltaram ser possível acelerar a votação na Câmara, admitindo que, se for preciso fatiar para viabilizar a aprovação da CPMF até 30 de setembro, a iniciativa seria do Senado.

mockup